Pablo Miyazawa é um dos editores da revista Rolling Stone. Foi editor da EGM Brasil, Nintendo World e Herói e colaborador da Folha,
Set e MTV. Também é sócio do coletivo Gardenal.org.





Cobertura do WCG 2008:
Dia 1
Dia 2
Dia 3
Cobertura da E3 2008:
Coletiva da Microsoft
Coletiva da EA
Coletiva da Nintendo
Coletiva da Sony
Coletiva da Ubisoft
Coletiva da Capcom
Festa da Harmonix

Arquivo de Entrevistas (44):
Alan Flores (G.Hero III)
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B.Chaverot(Ubisoft)
Bruno Abreu(OuterSpace)
Bruno Fukuda(Mibr)
Chino Moreno (Deftones)
David Duchovny (X Files)
Eduardo Trivella (Europa)
Fabio Santana (EGM BR)
Felipe Azevedo (NGamer)
Glauco Bueno (Synergex)
Gustavo Hitzchky (IG)
Gustavo Petró (Europa)
Ivan Cordon (EGS)
Jack Wall (VGL)
Jocelyn Auricchio (Link)
John Tam (RedOctane)
Jorge Filho (Kaizen)
Julio Vieitez (Level Up!)
Kevin Baqai (Proximo)
Len Wiseman (Die Hard 4)
Luis Paredes (Microsoft)
Luis Paredes (Gamers)
Marcel R. Goto (Diverbrás)
Marcel R. Goto (DigiArts)
M. Henderson (RedOct.)
Matthew Bellamy (Muse)
Matt Groening (Simpsons)
Milton Beck (Microsoft)
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Peer Schneider (IGN)
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Steve Singer (Nintendo)
S. Miyamoto (Nintendo)
Steve Singer (Nintendo)
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Os Melhores do Ano Gamer.br:
Os Melhores de 2006
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04/12/2008 03:01

Gente fazendo

Está acontecendo de novo. Um monte de gente está fazendo, e estou achando isso ótimo.

Quero dizer, fazendo suas coisas, coisas legais, não me entenda errado. Algumas vezes me parece que está todo mundo parado, esperando as coisas tombarem lá de cima (nenhuma referência aos torós e tragédias horríveis rolando em SC, por favor...). E daí, de repente, um monte de gente boa começa a tocar seus projetos pessoais. Ou mesmo reviram seus baús cheios de tesouros e os apresentam para o mundo.

Neste caso, estou me referindo ao André Forastieri. Jornalista, meu ex-chefe na Conrad/Futuro, guru profissional (e muitas vezes espiritual, por que não?). Afagos à parte, fiquei muito feliz em ver que o Forasta finalmente começou um blog só dele - logo ele, o cara mais inteirado e bem resolvido sobre essas novas alternativas de mídia, os avanços e os retrocessos, caminhos e becos sem saída desse mundo digital louco em que estamos de passagem (isso foi bem bonito, admito). Na verdade, ele já havia me avisado da empreitada há um tempo, mas demorei a comentar aqui (e o Álvaro Pereira Jr. foi bem mais eficiente que eu nessa divulgação, na coluna dele no Folhateen dessa segunda-feira. Vacilei).

Forasta está postando seus textos antigos da Bizz, Folhateen, Folha de São Paulo, Caros Amigos, Meio e Mensagem e tantos outros veículos, além de dar uns pitacos diários sobre o que ele enxerga lá do alto de seu navio (não, ele não é um pirata - foi um eufemismo). Ele não deve se lembrar, mas é algo que eu vivia dizendo a ele, nos oito anos que trabalhamos juntos: "você deveria republicar suas coisas!". Mas ele desdenhava, e dizia que aquilo deveria ficar guardado nas pilhas de revistas velhas que as pessoas guardam em casa. Ainda bem que ele mudou de idéia, e agora, muita gente pode, ainda que numa mídia diferente, conhecer todos os textos que ajudaram em muito em minha decisão de seguir essa carreira maldita. Eu até citei esse fato na primeira entrevista de emprego que fiz, no tão distante junho de 1998 (estamos velhos mesmo), mas ele desconversou, como sempre fez dali em diante. A babação de ovo fazia parte, mas a partir dali, passei a ver o cara como meu chefe e companheiro de trabalho. O Forastieri das antigas, aquele que não poupava vacas sagradas e tão bem levantava a bola de quem merecia, deixei guardado lá na pilha de revistas mofadas.

Então, fica a dica. E linquei ali embaixo, retribuindo a gentileza. Eu se fosse você, visitaria hoje.

***

E também divulgo aqui a estréia do GoLuck, empreitada esperta do Lucas Patricio e sua equipe. O site está bem feito e merece aplausos. E antes tarde do que nunca, também aplaudo o Girls of War, blog da Bruna Torres, Carlinha Rodrigues, Clarice dos Santos e Vivi Werneck. Meninas de atitude, que fazem sozinhas, e bem feito, só porque gostam.

***

E logo mais, ouvi falar, uma figura conhecida da imprensa de games brasileira ganhará um espacinho na televisão aberta. E para falar de games, veja bem. Quando puder ser divulgado, é claro que eu divulgo. Por enquanto, vamos mantendo o mistério.

***

A Microsoft topou responder minhas perguntas sobre os dois anos de Xbox 360 no Brasil. Assim que as respostas chegarem, elas aparecerão aqui, graças à magia que é o jornalismo de internet. Não é incrível?

***

Dei uma entrevista em vídeo ontem para a Veja Online, citando os 10 melhores games de todos os tempos - listinha polêmica, pra variar. Outros colegas de profissão também votaram, que eu sei. Assim que a matéria for ao ar, será lincada aqui também.

Listas são cruéis demais, e improvisar em cima de uma escolha desse naipe é pior ainda. Mas acho que deu pra enrolar bem. As escolhas foram não tão óbvias, e certamente eu teria feito diferente se fosse entrevistado no mês passado, digamos. Alguém aí adivinha quais jogos citei? Eu mesmo não adivinharia... nós, gamers, somos volúveis, acima de tudo.

***

Uma notícia tardia e triste: na sexta-feira passada, faleceu a Karla Nagai, jornalista e assessora de imprensa de 29 anos. Ela trabalhou durante um tempo na FirstCom, ajudando a divulgar a Level Up Games e seus lançamentos. Atualmente, ela estava na RMA, que entre outras empresas, assessora a Electronic Arts. Apesar de não ter conhecido a Karla pessoalmente, chegamos a nos comunicar algumas vezes pela internet. Fica aqui a homenagem e minhas condolências aos seus familiares e amigos.

enviada por Pablo Miyazawa



27/11/2008 03:40

Melhores (?) do ano

Acabei de gastar uns bons minutos com a árdua tarefa de votar nos "Melhores de 2008" da revista EGM Brasil. Digo "árdua", para não dizer outra coisa. Ou 2008 foi um ano muito esquisito, ou eu que não prestei muita atenção. Ou as duas coisas.

Na categoria "Wii", escolher os melhores foi quase um sofrimento. O mesmo na categoria "PC", ou nos portáteis. Em 2008, foram poucas as obviedades, mas especificamente nesses consoles, a coisa foi bem complicada. Sorte de quem tem um Xbox 360 ou um PS3. Nesses, a oferta foi mais variada e interesante, e escolher foi bem tranqüilo. Fallout 3, GTA IV, Spore (esse no PC), LittleBig Planet aparecem como as barbadas, com Left 4 Dead, Call of Duty 4, Dead Space e os games musicais correndo por fora (Prince of Persia ainda não saiu, e talvez entraria em minha lista). Mas não acho que este ano foi dos melhores, pelo contrário.

Que saudades de 2005...

Você já fez sua lista? Se prepare, porque logo mais vou inaugurar a votação do Gamer.br. Dezembro já chegou, e fim de ano sem votação é igual a Natal sem luzinhas de Natal.

E isso me faz lembrar que na próxima segunda, 1 de dezembro, o Xbox 360 completa dois anos no mercado brasileiro. Tudo muito lindo, mas... e o nosso acesso à Xbox Live? Esse papo já ficou velho demais...

***

E por falar em Natal, publiquei ontem minha segunda coluna no blog da Digerati. Fala justamente sobre isso: o efeito que as publicidades natalinas tiveram em minhas escolhas em um passado distante. Nostalgia, mofo e um monte de referências e verborragia em doses cavalares. Clique aqui para ler.

E torça para as novidades surgirem nesses tempos de crise e indefinições. Novidades boas, para variar. Já cansei de gente dizendo que sou pessimista ou inimigo das causas nacionais. Ainda se eu ganhasse dinheiro para falar mal de alguém por aqui... mas deixa quieto, que nem vale a pena.

enviada por Pablo Miyazawa



21/11/2008 12:35

Por aí

Feriado prolongado, fim de semana... só se for pra você.

Os dias estão tensos e agitados. Mil coisas rolando. Mas, nas horas vagas, a gente tenta se divertir. E diversão hoje, neste momento, tem um nome só: Fallout 3. Game do ano? Não esquecer que o ano teve Grand Theft Auto IV... bem, ainda não pensei nisso. Já tenho que participar de várias listas de melhores de 2008, então preciso pensar direito a respeito...

Nas horas vagas, quando não estou jogando, eu escrevo. E comecei outra empreitada: uma coluninha no blog da editora Digerati. Diferente do conteúdo publicado aqui, ela fala sobre nostalgia, bons tempos que não voltam mais, memórias e devaneios. O nome: Jogatinas de um Gamer...Br. E o primeiro texto está aqui. Dê uma passada por lá. E semana que vem (não sei o dia ao certo) tem mais.

Fiz também umas colaborações para a próxima EGM Brasil, que sai nas bancas no fim de novembro. Tem a cobertura do WCG (se é que não ficou pra outra edição), um tributo a um amigo e a coluna "Só se fala nisso" de todos os meses.

E vamos trabalhar, que a sexta só começou.

enviada por Pablo Miyazawa



18/11/2008 14:23

Bruxa solta

Quando alguém ou alguma coisa está na boca do povo, tudo conspira para que continuemos falando sobre aquele assunto. Você crê nesse tipo de coisa? Sinceramente, eu acredito.

Tomemos a Tectoy como exemplo.

Na semana passada, o braço brasileiro da empresa anunciou seu novo produto, o Zeebo, um console de videogame que será vendido a partir de 2009 a um preço popular (R$ 599? Bem...) e com uma campanha focada no combate ao lançamento nacional do PlayStation 2. A imprensa especializada, de modo geral, criticou o anúncio e ficou com o pé atrás. Acham que o console já nasce com a validade vencida, que os jogos não compensam o esforço e que o foco não está muito bem definido. Seja como for, é difícil falar qualquer coisa antes de ver o brinquedo no mercado, e funcionando.

Essa semana, não exatamente por causa do Zeebo, a Tectoy voltou a ser assunto. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a empresa divulgou que um incêndio danificou suas instalações em Manaus, o que causou a paralisação das atividades industriais por tempo indeterminado:

Manaus, 17 de novembro de 2008

Em cumprimento à Instrução CVM n.º 358/02, a Tectoy informa que, na madrugada de 17 de novembro de 2008, um incêndio, já extinto e sem vítimas, atingiu parte das instalações da Companhia em Manaus, AM. As causas são ainda desconhecidas e serão apuradas pelas autoridades competentes. O incêndio atingiu áreas administrativas e uma parte do departamento de expedição. O incêndio não atingiu as linhas de produção, que restaram intactas. Em virtude de problemas gerados para as instalações elétricas, as atividades industriais ficarão temporariamente suspensas. Todas as áreas atingidas são objeto de seguro, com cobertura para esse tipo de sinistro. Eventuais novas informações relevantes serão prestadas assim que se fizerem disponíveis.


Quase simultaneamente, por coincidência ou não, outra notícia esquisita veio à tona: ontem, alguns funcionários da Tectoy ligados ao lançamento do Zeebo foram mandados embora. Os motivos não são conhecidos, mas estima-se que tenha mais a ver com corte de gastos do que com algum motivo relacionado ao produto em si. De qualquer maneira, soa como uma estranha coincidência isso tudo acontecer em um espaço tão curto de tempo.

Superstição ou não, eu acho que o ideal, por enquanto, seria a empresa fugir um pouco dos holofotes. Só para garantir...

enviada por Pablo Miyazawa



12/11/2008 05:06

A hora do Zeebo

Daqui a pouco (ou há algumas horas, dependendo de quando você ler isso), a Tectoy irá revelar aos jornalistas brasileiros os segredos do Zeebo, seu misterioso console doméstico criado em parceria com a Qualcomm, gigante da telefonia mundial. Mas algumas coisas eu consegui apurar antes da coletiva de imprensa.

Conforme foi postado aqui há alguns dias, o Zeebo é um videogame diferenciado: ele não roda jogos de outros consoles existentes, mas se utiliza de um sistema de download de jogos diretamente na máquina, sem o uso de fios. Trocando em miúdos, é um sistema 3G semelhante aos utilizados em celulares mais modernos. O aparelho é conectado à televisão, como um videogame comum, e possui um joystick com duas alavancas analógicas, um d-pad analógico, quatro botões "de ataque" e dois botões superiores. Já o console (que é branquinho como o Wii), que pode ser posicionado de pé ou deitado, traz entradas USB e uma entrada SD, para utilizações futuras. Tudo foi fabricado pela Tectoy, mas as semelhanças são muitas com a maioria dos consoles que já existem por aí.

O Zeebo, parece, também trará alguns jogos já armazenados na memória, que é limitada, mas comporta diversos arquivos. Caso o espaço virtual lote, é preciso deletar um jogo para dar espaço ao outro. Funciona da mesma maneira que o Virtual Console do Wii: com créditos adquiridos com cartão de crédito, boleto ou cartão recarregável, é possível comprar os games em uma espécie de loja virtual própria do sistema.

Como fiquei sabendo de tudo isso? Ao que parece, tem bastante gente interessada que a máquina dê certo, e por isso as informações andam vazando adoidado (na verdade, elas são públicas, mas estavam bem escondidas pela internet). Esses dados que obtive, pelo jeito, são quentes (e já tem até uma comunidade no orkut para a distribuição e a discussão dessas informações). Vejamos o que mais a Tectoy vai nos revelar na coletiva para a imprensa. É pra ficar bem interessado. Eu mesmo já estou.

enviada por Pablo Miyazawa



10/11/2008 14:33

Entrevista da Semana 2: Paulo Corgosinho (Carom 3D)



Paulo Corgosinho, 20 anos, é o terceiro melhor jogador do mundo no game Carom 3D, game da coreana NeoAct que simula a boa e velha sinuca. O mineiro de Belo Horizonte acabou com a bendita medalha de bronze na final mundial do World Cyber Games, em Colônia (Alemanha). Após o pódio, ele conversou com o Gamer.br sobre sua atuação no torneio.

Sobre a derrota na semifinal e a medalha de bronze:
"Eu esperava que poderia me sair melhor do que na etapa online. Já vnha jogando melhor que os outros jogadores e esperava ir para a final. Aqui é um campeonato mundial, então tem essa pressão, todos querem levar a medalha de ouro, entao é uma pressão que fica em cima que é enorme, e atrapalha bastante. Eu queria ter jogado menos nervoso, com mais tranqüilidade. Era muita pressão, e me faltou calma para ganhar. Carom 3D é um jogo que depende muito de calma, e em algumas partidas minhas eu me apressei um pouco e fui mal. Na disputa do bronze, eu estava mais tranqüilo e meu jogo saiu bem melhor. Na semifinal, contra o menino da Bulgaria, tinha aquela pressão: eu sabia que se ganhasse dele, iria pra final. E isso me atrapalhou um bocado."

Ganhar a única medalha brasleira e subir no pódio:
"Deu um frio imenso na barriga subir no palco com a bandeira brasileira. Foi uma responsabilidade enorme, fiz com muito orgulho e dedicação a essa delegação. Pretendo continuar a jogar. Agora que ja sei como que é [uma competição internacional], é só manter a calma e treinar bastante para tentar ganhar a medalha de ouro no ano que vem."

Sobre o campeão mundial, o coreano Kensin:
"Ele é bem mais velho, e bastante velho no jogo. Eu não sei o que ele faz da vida, mas ele jogava bastante antes do torneio, ficava umas 15 horas online por dia. Eu acho que não precisa desse treinamento todo. Você sabendo jogar, é so manter a calma e treinar umas duas horas por dia. Não precisa ser tão exagerado."

Sobre ser cyberatleta:
Eu acho que isso é uma coisa que um dia passa. Eu jogo por prazer, não por prêmios ou dinheiro, é por prazer. O resto é conseqüência. Quando estou afim, eu jogo. Se eu não estou com vontade, não jogo. Eu não vou querer participar da WCG só porque distribui prêmios: tem que gostar do jogo. E é isso que eu acho legal, eu gosto mesmo de jogar. Se ganhar, ganhou. Mas eu gosto de competir, eu venho pra ganhar, não pra perder. Sou muito competitivo, tento me esforçar ao máximo em tudo. Se não tiver competitividade, não dá."

***

Escrevo do aeroporto de Frankfurt junto com a delegação brasileira, retornando para São Paulo dentro de algumas horas. Amanhã estou de volta ao Brasil-sil-sil, com mais sobre a WCG, além de outras novidades quentinhas (você sabia que a Tectoy vai anunciar oficialmente seu console Geenie-Zeebo nesta quarta-feira? Pois é...).

E até a volta.

enviada por Pablo Miyazawa



10/11/2008 10:05

Entrevista da Semana: Bruno Fukuda (Mibr)


O Mibr, maior time de Counter-Strike brasileiro, não conseguiu superar o estigma de não se dar bem no World Cyber Games. Em Colônia, na última quinta feira, o time acabou derrotado duas vezes e deixou de se classificar para a fase seguinte do torneio (a equipe dinamarquesa mTw acabou campeã, diante do sueco SKW).

Durante a final de FIFA 08, conversei com o capitão do Mibr, Bruno Fukuda, o "Bit", que falou sobre a performance da equipe, a rotina de treinamentos na Suécia e os próximos campeonatos. Leia e comente no final.

Gamer.br: Quais eram as expectativas do Mibr antes de chegar ao WCG? O que vocês esperavam fazer aqui?
Bruno "Bit"Fukuda: A gente tinha jogado alguns campeonatos antes, em Los Angeles, Montreal e Dubai, e conseguimos ficar muito bem - fora em Dubai, que ficamos em quinto, em Los Angeles e Montreal ficamos em segundo e terceiro - então estávamos esperançosos de conseguir o esperado e engasgado primeiro lugar. Mas acabamos caindo em um grupo muito difícil, e qualquer time que saísse dali ficaria muito triste.

Como você avalia a performance nas seis partidas? Você acha que deram tudo o que podiam nos primeiros quatro jogos e dai perderam força? Fez diferença jogar as duas últimas partidas lá na frente, com todo mundo assistindo e os holofotes em cima?
Bit: Eu acho que isso não tem muita diferença, não. Os quatro primeiros times eram bem fracos, então praticamente nao mudou nada - tanto que ganhamos contra eles sem nenhuma dificuldade. O problema foram os últimos dois jogos mesmo, que eram contra ótimos times. Qualquer um poderia ganhar ali.

Teria feito diferença pegar esses times logo no começo do dia?
Bit: Não, acho que não. Não mudaria muita coisa.

Vocês estavam bastante entrosados nos torneios que jogaram nas semanas anteriores. Aqui na WCG, vocês sentiram alguma pressão de estarem representando o Brasil, e não exatamente vocês mesmos?
Bit: Não, acho que não. A gente já está bem acostumado a esse tipo de pressão. Acho que a pior coisa mesmo foi ficar viajando por muito tempo. A galera ficou meio estressada, com saudades da família. Isso meio que desconcentra um pouco.

É ideal ter um intervalo entre esses campeonatos? Tipo, apenas um por mês?
Bit: Ah, não sei. Mas só sei que nossa rotina foi muito estressante. A gente ficou mais de 40 dias ou na Suécia, ou viajando, sem parar de treinar, jogando todo dia, participando de campeonato. Acho que isso estressou bastante e acabou até atrapalhando ao invés de ajudar.

Vocês sempre jogam acompanhados de um coach, o Kiko, só que ele não veio a esse torneio. Fez diferença ele estar junto do time?
Bit: Na verdade, ele só foi conosco para Montreal e Dubai. É claro que ajuda, ele esta sempre melhorando a nossa comunicação, ajudando nas táticas, mas eu não acho que faça tanta diferença. Tanto que nesse campeonanto [o WCG], nenhum time pode ter um coach.

Vocês já jogam profisssionalmente há tempos, e estão acostumados a esse tipo de campeonato. É muito decepcionante vir a um torneio desse tamanho e não passar da primeira fase, ou só de competir e estar aqui com a delegação já vale a pena?
Bit: Não, com certeza a gente fica muito decepcionado. Claro que já é muito bom estar aqui, mas não pra gente. A gente sabe que temos potencial pra ser o top 1, temos potencial pra ganhar, entao foi totalmente decepcionante ficar nas fases de grupo.

Vocês já tem projeções para 2009, ou algum objetivo a ser cumprido?
Bit: Por enquanto, a gente vai voltar pra São Paulo e vamos tentar conversar sobre o que aconteceu, tentar arrumar tudo certinho. Porque temos ainda dois campeonatos esse ano [nos Estados Unidos e na Suécia], e a gente precisa ganhar.

enviada por Pablo Miyazawa



08/11/2008 17:44

WCG 2008: A fase final (e uma medalha pro Brasil)

Estamos na fase final do World Cyber Games, em Colônia (na Alemanha, lembra?). A delegação de cyberatletas brasileiros tinha como objetivo hoje se superar para vencer as fases eliminatórias e alcançar as esperadas medalhas para figurar nas primeiras posições do ranking geral. Não foi exatamente o que aconteceu. Resumo a seguir os nossos resultados entre ontem e hoje. Aliás, temos medalha. Não é a de ouro, mas é medalha.

- Giovanni Magri, o "Gear", se classificou como favorito para as eliminatórias de Need for Speed ProStreet, na quinta. Hoje, na fase final, ele acabou sucumbindo nas quartas de final, para o representante da Rússia, "MrRASER", que acabou campeão. Nosso outro representante, Paulliran Santos, o "pAxKyerNG", de Brasília, estreou na sexta, e foi o segundo colocado em seu grupo. Hoje, acabou caindo nas oitavas de final para o competidor holandês "Steffan" - que acabou levando o bronze. E Need for Speed, que era uma esperança de medalha, ficou só na promessa esse ano.

- Nossos representantes em FIFA 08 também ficaram no quase. Samuel Liberato, o "Shev", se deu bem na sexta-feira, na fase inicial, e acabou se classificando com duas vitórias e duas derrotas. Na fase eliminatória, hoje, perdeu de duas partidas a zero nas oitavas de final para o alemão "bvbstar". Está fora. Já o Luiz Guilherme Orrico, o "Teruliro", que na quinta se classificou para a fase eliminatória, também acabou perdendo nas oitavas - por duas partidas a um contra o competidor indiano, "Bbreak17". Assim, ele também está fora, e ficamos também sem representantes nas finais do futebol.

- Cássio Kiles, o nosso guitarrista virtuoso em Guitar Hero 3, mandou muito bem, mas não o bastante. Venceu cinco partidas e perdeu uma, empatando em pontos com dois adversários. No desempate, com a ridiculamente complexa "Through the Fire and Flames", do DragonForce, ele acabou perdendo. Ficou de fora das finais, mas fez, nas palavras de quem o viu jogando, "a melhor performance de sua vida".

- Em Carom 3D, o jogo coreano de sinuca, Paulo Corgosinho, o "Guigo123", perdeu a semifinal para o competidor búlgaro (aliás, o mesmo cara que deu uma surra no ping pong do hotel em cada um dos membros da delegação brasileira). Na decisão do terceiro lugar, Guigo levou a melhor contra o alemão e conseguiu a primeira (e talvez única) medalha brasileira na competição - um bronze. Apesar de decepcionado, todos os outros jogadores acompanharam a partida final aos berros e comemoraram muito o grande (e único) feito medalhístico brasileiro este ano.

- Nosso representante no game para celular Asphalt 4 começou bem. Guilherme Bartz venceu três partidas e acabou perdendo as outras duas. Ficou de fora das finais também. Uma pena, porque era nossa última chance de medalha.

Amanhã rolam as finais das categorias principais, sem brasileiros participando. O clima será um pouco de ressaca, mas vendo de perto o astral dos jogadores, parece que ninguém se importou muito em perder. Só o fato de estar aqui competindo, participando e indo para a balada no fim da noite já parece valer a pena para a maioria. É o tal do espírito esportivo que tanto falam, talvez.


Cyberatletas, torcedores, equipe de apoio, um jornalista escondido e o estandarte brasileiro

enviada por Pablo Miyazawa



06/11/2008 18:44

WCG 2008: Já começou (e acabou)

No primeiro dia de World Cyber Games, a delegação de cyberatletas brasileiros já fez bem mais do que se esperava dela. Passei o dia todo de lá para cá no grande pavilhão da Koelnmesse, tentando acompanhar a performance dos jogadores (cansa, vou dizer). Após um dia inteiro de competição, temos:

- Giovanni Magri, o "Gear", venceu todas suas corridas em Need for Speed Pro Street e passou para a fase eliminatória. Vale lembrar que ele, apesar de ser o mais novo da delegação (tem 17 anos), é o mais experiente - ganhou o ouro também jogando Need for Speed, no WCG 2005, em Singapura. Nosso outro representante, Paulliran Santos, o "pAxKyerNG", de Brasília, vai estrear amanhã.

- o Luiz Guilherme Orrico, o "Teruliro", ganhou duas partidas e perdeu uma em FIFA. Assim, ele está classificado para a fase eliminatória, no sábado. A última partida, ele venceu de goleada, por 5 a 0. A derrota por 2 a 1 no segundo jogo, ele disse, foi "por cagada". Nosso outro representante na modalidade, o Samuel Liberato, o "Shev", só começa sua participação amanhã.

- Nossa equipe de Halo 3, o quarteto HBR, formado por dois caras de São Paulo e dois do Rio, acabou derrotado nas três partidas e já está eliminado. A performance, eles atribuem a erros de estratégia. "Perdemos para nós mesmos", reclamou Moacir Junior, o "juniorbraz".
O representante em Age of Empires III: The Asian Dynasties, Felipe Sartori, o "UtinWons", perdeu suas duas partidas e está fora também.

- Cássio Kiles, o nosso guitar hero em... Guitar Hero 3, só estréia amanhã, mas acompanhou todas as disputas dos possíveis adversários. Pelo que pude ver, está parelho. Absurdamente, ninguém erra uma nota, e as partidas são decididas nos detalhes. Guilherme Bartz, que vai jogar o game para celular Asphalt 4, também só estréia amanhã.

- Em Carom 3D,, o jogo coreano de sinuca, temos um representante que tenta repetir o bom resultado do país no ano passado (fomos ouro e bronze). Hoje, Paulo Corgosinho, o "Guigo", venceu uma e perdeu outra. A conclusão de sua chave acontece amanhã também. Ele prometeu que vai evitar a balada hoje.

- No Counter-Strike, o "100 metros rasos" da WCG, o time Mibr representa o Brasil. O quinteto formado por Thiago "BTT" Monteiro da Silva, Bruno "Bit"Fukuda, Renato "Nak" Nakano, Lincoln "FNX" Lau e Raphael "Cogu" Ribeiro passou um bom dia, apesar da maratona absurda de partidas a que são submetidos. Primeiro, logo ao meio dia, venceram a Eslovênia por 27 a 3, Durante o almoço, me comentaram que estavam tranqüilos, e que as partidas mais difíceis seriam as duas últimas do dia, contra os poloneses e os coreanos, ambas no telão.


Fênix fala com BTT: o começo da maratona do Mibr

Após a pausa, foi uma partida atrás da outra, sempre com vitória: ganharam de Hong Kong por 28 a 2, da Eslovaquia por 23 a 7, e acabaram de vencer os neo-zelandeses por 25 a 5. Daí, o cansaço e a pressão bateram: pegaram os imbatíveis coreanos, no mapa Inferno, e caíram por 18 a 12. A partida final, contra os poloneses, era decisiva: ambos times tinham 4 vitórias, e quem ganhasse continuaria na competição.


Cogu, Bit, Nak, Fnx e BTT (escondido) enfrentam a Polônia

A partida foi dura e emocionante. Chegou a estar 8 a 7 para os poloneses, com uma bela reação do Mibr. Mas a subida não continuou, e na segunda rodada, os adversários se distanciaram. Placar final, 16 a 10 para a Polônia. E o Mibr acabou desclassificado. Depois do jogo, cansaço, frustração e a sensação de que dava para chegar mais longe.


Concentração antes da partida: 4 vitórias e 2 derrotas

E amanhã tem mais. Continuamos por aqui, correndo de lá para cá.

enviada por Pablo Miyazawa



06/11/2008 01:03

WCG, direto de Köln

Começa amanhã o World Cyber Games, ou melhor, a final do WCG. A olimpíada dos games, como eu já disse aqui, tem sua grande final em Colônia, Alemanha (Köln para os locais, Cologne para os faladores de inglês). Hoje, aconteceu a cerimônia de abertura do evento, no pavilhão da Koelnmesse, com a presença da maioria dos 800 jogadores presentes, de 78 países.

Foi um festão impressionante, com direito a tocha olímpica (virtual), cerimônia de bandeiras, show de banda ruim e discursos intermináveis. Mas deu para ter uma noção do tamanho que é hoje o WCG. Apesar de muita gente ainda desprezar o e-sport, os cyberatletas e esse tipo de evento, é impossível negar a importância desse tipo de iniciativa, e vislumbar a importância que esse tipo de atividade terá dentro de alguns anos. Ora, se o game é considerado o supra-sumo da indústria do entretenimento hoje, é de se esperar que qualquer iniciativa que vise a profissionalização ganhe cada vez mais importância.

Eu não costumava dar muita bola pro esporte eletrônico. Tinha como conceito que os jogadores profissionais eram caras alienados e prepotentes que não mereciam o crédito que lhes era concedido. Após uns 2 dias aqui, convivendo 24 horas por dia com esse povo, tenho que admitir as mudanças no meu conceito. Não dá para condenar as pessoas por terem mais habilidades do que as outras. E saber jogar bem é sim, por que não, algo a ser valorizado. E se tem alguém disposto a valorizar e pagar por essa habilidade, sorte a deles, não é mesmo? Eu duvido que exista alguém que não seja afim de receber dinheiro, prêmios e viajar pelo mundo só para fazer o que gosta. É preciso respeitar esses caras.

Amanhã, a loucura começa, ali do outro lado da rua (meu hotel fica em frente ao Koelnmesse). A partir das 11h, já tem partida do mibr, nosso representante em Counter-Strike. Vou pra lá para acompanhar de perto esse trem. Vou contando por aqui, postando fotos quando possível. Acompanhe.

E deixa eu dormir, que a balada ontem foi forte. Tem que ter saúde para acompanhar esses cyberatletas...

enviada por Pablo Miyazawa



04/11/2008 08:56

Entusiasmo

Acho que ainda dá tempo de fazer uma homenagem tardia.

Na sexta-feira passada, a violência e o acaso tiraram a vida do amigo Alex Borges, conhecido entre muitos como Tapiruga. Artista dos mais talentosos que já conheci, ele também era um ser humano diferenciado. Me dava sempre a ligeira impressão de que nada poderia aborrecê-lo, ou de que os problemas mundanos simplesmente não lhe diziam respeito. Alex era zen, educado e sempre bem intencionado e alto astral, além de um excelente caráter.

Tinhamos uma palavra de ordem, tipo um mantra, que falavamos um para o outro para distribuir bons fluidos, sempre que nos viamos ou falavamos ao telefone: "Entusiasmo!". E era autentico. Fica difícil acreditar que um ato dos mais estúpidos tenha tirado um cara desses de nossa existência. Enfim, diria nosso amigo em comum, o Cleiton, na vida não existe lá muita lógica.

O Alex ilustrou para praticamente todas as revistas que editei na Conrad/Futuro. Começou na Herói e na Nintendo World, fez coisas lindas e memoráveis na Clube e na Play e deixou sua marca em várias matérias importantes da EGM Brasil - inclusive a capa da edição 26, a qual infelizmente, não tenho aqui. Mas publico a seguir algumas de suas criações, como uma forma de homenagear um artista, e um amigo, que se foi cedo demais.


Imagem de abertura de um Quiz, publicada na Nintendo World 25 (2000).



Uma das primeiras ilustras na EGM, em artigo sobre a guerra dos consoles (esqueci qual numero, por volta de 2002).


Abre da materia de capa da EGM 35 (2005).


Uma das minhas favoritas: abertura em materia para a revista Heroi +, de 2003

enviada por Pablo Miyazawa



03/11/2008 22:27

Köln é aqui

Cheguei ontem em Colônia, cidade alemã cá embaixo, terra da final do World Cyber Games. Estou com a delegação brasileira que concorre a medalhas na consagrada olimpíada dos games. Os jogadores enfrentam, a partir desta quinta, partidas em categorias diversas, como Counter-Strike, FIFA, Need for Speed ProStreet, Caron, Guitar Hero 3, Age of Empires 3, Halo 3 e o game pra celular Asphalt 4. As chances do Brasil são boas em várias categorias, dizem os especialistas. O pessoal me pareceu animado, sem aquela pressão/obrigação de vencer.

Demoramos muito para chegar. Pousamos as 15h em Frankfurt, e embarcamos em um ônibus direto para Köln, a 192 km. Paradas no caminho, trânsito da hora do rush e o motorista meio perdido fizeram o percurso muito mais longo do que realmente é. Acabamos entrando no hotel depois das 21h, logo após deixarmos os cyberatletas no albergue onde estão hospedados. Mas claro, ainda deu tempo de fazer o reconhecimento da área (o hotel fica na frente do Köln Messe, onde será o evento) e tomar umas cervejas típicas. O frio cortante não atrapalhou.

O fuso horário ainda está atrapalhado, então perdemos o café da manhã (frühstuck). Típico. Vou ver o que dá para se fazer por aqui hoje, antes da bagunça começar. Logo reapareço.

enviada por Pablo Miyazawa



31/10/2008 19:19

Antes de voar...

E o correio funcionou bem ontem:


Encomendas internacionais sempre são bem-vindas

O livro, vou conseguir dar conta logo. Já o Fallout 3 terá que esperar: viajo neste domingo. Embarco para Köln, Alemanha, para a cobertura da final do World Cyber Games, as já consagradas "olímpiadas dos games". A cobertura de mais este evento, você confere aqui no Gamer.br, durante toda a semana que vem. Visite, que eu garanto.

enviada por Pablo Miyazawa



30/10/2008 12:25

Beatles!

Vou em tópicos, porque a emoção é muita:

Harmonix e Apple Corps. juntas, para criar um game musical dos Beatles.

Que não é Rock Band, mas é algo do gênero.

Que sai no ano que vem, lá pro fim do ano.

Que passará por todo catálogo dos Beatles, the Please, Please Me a Abbey Road, levando em conta as gravações lançadas na Grã-Bretanha.

E tem esse release, que não vou me dar ao trabalho de traduzir - mas que tem frases boas de todos os Beatles vivos, ou seus representantes:

"The project is a fun idea which broadens the appeal of The Beatles and their music. I like people having the opportunity to get to know the music from the inside out," Sir Paul McCartney said.

"It gives me great pleasure to be part of The Beatles / Apple and Harmonix / Rock Band partnership,” said Ringo Starr. “The Beatles continue to evolve with the passing of time and how wonderful that The Beatles’ legacy will find its natural progression into the 21st century through the computerized world we live in. Let the games commence.”

“It’s cool. I love it and hope it will keep inspiring and encouraging the young generation for many decades,” said Yoko Ono Lennon.

"People are having so much fun playing Rock Band. Combined with The Beatles tracks, it is a great way to either listen or participate,” said Olivia Harrison. “If you like the music, it doesn't take much persuasion to get you to play."


Todos os Beatles estão envolvidos na brincadeira. E adorando a idéia de se envolver com algo tão moderno.

E é exclusividade - ou seja, nada de Beatles em Guitar Hero.

Não tem nome ainda, nem plataforma definida. Ou melhor, eles não irão dizer por enquanto.

E não se chama Rock Band Beatles, porque será "muito mais que isso".

Leia a transmissão aqui comigo e chore.

E sim, veja bem, isto é uma revolução. Talvez uma daquelas sobre a qual John Lennon cantava tão bem. Vejamos onde vai chegar.

enviada por Pablo Miyazawa



29/10/2008 15:59

TV na TV

E rolou nesta segunda passada o festão de lançamento de Taikodom, o MMO criado pelos catarinenses da Hoplon Infotainment (boa essa palavra, "infotenimento"). O clima era ótimo, e estava (quase) todo mundo lá. Jornalistas (esses sempre aparecem quando a boca é livre), executivos de outras empresas, assessores boa-praça, gente bacana em geral. Eu vi gente dançando, gente bebendo demais, gente falando o que não devia. Em resumo, foi um belo evento. O mercado deveria tentar que mais desses rolassem ao longo do ano (e não, não tenho fotos comprometedoras para postar. Embora os momentos constrangedores existam).

Lá em meio à barulheira, escutei uns boatos bons. Nada que ainda mereça ser publicado sem apuração. Mas um deles eu falo, porque, se não me engano, até já foi tornado público. Ou será que não? Sei lá, o jeito é falar e esperar as conseqüências. Ouvi dizer por ali que a PlayTV vai voltar ao ar. E será em rede nacional, através do sistema por assinatura Sky. E será logo, tipo, em novembro mesmo.

Vale lembrar que a transmissão da emissora se limitava a Minas Gerais (pela OiTV) e pelo site do canal, que exibia a programação em streaming. Agora, vai voltar para a televisão. A notícia, na minha opinião, é ótima. Mais mídia, mais veículos em atividade, mais movimentação. E emprego garantido pra um monte de gente.

E assim, talvez você tenha a chance de assistir na TV minha segunda participação no Combo Fala + Joga, apresentado pelo Xis. Eu e o outro editor da Rolling Stone, o Ademir Correa, fomos lá na semana passada falar sobre a revista e (mal) jogar alguns clássicos do cancioneiro gamer. Quando eu souber a data de exibição, aviso aqui.

E vamos fechar, que tal?

enviada por Pablo Miyazawa



22/10/2008 03:25

Entrevista da Semana: Kevin Baqai (Proximo Games)

Conforme o prometido, lá vai: a Entrevista da Semana com o Kevin Baqai, um dos cabeças da operação da Proximo Games no Brasil. Para quem não sabe (leia o post de ontem pra relembrar), esta é uma rede de lojas internacional que planeja a entrada no mercado brasileiro nos próximos meses. A promessa é de preços competitivos, boas oportunidades para lojas que quiserem se tornar franquias e uma grande variedade de novos pontos de vendas nas principais cidades. Parece audacioso e bom demais pra ser verdade? Vejamos o que o Kevin, que é gerente de marketing e negócios da Proximo, tem a dizer. E comente lá embaixo, para fazer o debate democrático funcionar.

Gamer.br: O que a Proximo Games vë no Brasil, além do fato de este ser um território pouco explorado?
Kevin Baqai: A Proximo Games reconhece o Brasil como um mercado importante. O país tem mais de 190 milhões de habitantes, sendo uma grande parte pertencente à classe média. Há uma grande cultura de desenvolvimento de games com suporte institucional. Além disso, existem organizações como a ABES [Associação Brasileira das Empresas de Software], que dá suporte para o fortalecimento e a expansão da indústria de software no Brasil.

Falando sobre números, quais os planos específicos da Proximo para o mercado brasileiro
KB: Nós temos grandes planos para o mercado brasileiro. Eu tive a oportunidade de visitar o país várias vezes e presenciar o grande potencial desse mercado. Planejamos abrir diversas lojas nas cidades principais, como São Paulo, Campinas, Curitiba, Rio de Janeiro, Minas Gerais [sic], e diversas outras. Atualmente, estamos em negociação com diversos investidores que estão interessados em fazer negócios para diversos locais diferentes. Planejamos inaugurar diversas lojas nos próximos meses.

Vocês devem estar cientes do problema da pirataria que o nosso mercado enfrenta constantemente. Você acha que existe uma janela de oportunidade a ser explorada aqui, mesmo com o fato de o consumidor brasileiro não ser tão chegado a produtos originais, uma vez que a oferta de pirataria é tão rica e variada?
KB: Eu acredito que a pirataria irá continuar a ser o obstáculo principal do crescimento da indústria no Brasil, até o momento em que os jogadores reconhecerem que a pirataria os prejudica, ao tirar deles os incentivos aos desenvolvedores e aos vendedores de produtos legais. No fim das contas, a pirataria influência as escolhas mais limitadas, os preços mais altos e a disponibilidade de produtos para os consumidores jogarem. Organizações como a ABES estão trabalhando pesado com os órgãos governamentais para reforçar os copyrights e o desenvolvimento de uma indústria legalizada. Além disso, com a nova geração de consoles, existem cada vez mais games com opções online nos quais os jogos piratas não funcionam. Nós prevemos que, com as lojas da Proximo Games, os consumidores terão acesso a uma oferta melhor de jogos originais a um preço reduzido.

Então, o consumidor brasileiro pode mesmo esperar por um preço melhor, ou mais competitivo, em relação às lojas já existentes, ou ainda é cedo para se falar nisso?
KB: A Proximo Games tem um modelo de negócio único, no qual trabalhamos diretamente com os fabricantes/publishers. Nós importamos diretamente dos Estados Unidos e oferecemos esses produtos às nossas franquias, dessa forma, eliminando os terceiros. Isso acaba economizando dinheiro para nossas lojas e para o consumidor final. Além disso, todas nossas franquias estão diretamente ligadas a um sistema de ponto de vendas proprietário, para ter acesso ao estoque multimilionário de nossos estoques. Isso permite a todas as lojas terem acesso a quantidades maiores de produtos, com preços competitivos e, mais importante, com atendimento ao cliente, para proporcionar os games que as pessoas mais querem jogar.

Tem sido dito também que vocês planejam se associar às lojas aqui atuantes e oferecer a elas a possibilidade de se transformarem em lojas oficiais da Proximo Games. Vocês já estão negociando com esses varejistas?
KB: Nos últimos anos, nossa empresa tem trabalhado junto a diversas lojas já existentes na América Latina e no Caribe. O modelo de negócio da Proximo Games agrega um enorme valor a essas operações já ativas. Nós oferecemos a eles acessos a nossos recursos, produtos, treinamento e exposição global que eles não possuem nesse momento. E já que temos um modelo econômico escalável, o custo do negócio é reduzido, e eles podem gerenciar suas empresas de maneira bem mais eficiente enquanto forem uma de nossas franquias.

Quais são seus principais concorrentes no mercado brasileiro atualmente? Você deve saber que a franquia mexicana Gamers recentemente abriu três lojas no Brasil. Seria a abertura dos negócios da Proximo um sinal de que a operação da Gamers está indo bem por aqui? Ou é um sinal de que este é um bom momento para as empresas iniciarem seus investimentos no país?
KB: Acredito que nosso modelo de negócio é único. Nossas franquias controlam e são proprietárias de suas lojas. Nós fornecemos um sistema completo que inclui merchandising, gerenciamento de estoque e planejamento de crescimento do negócio. Nosso modelo de negócio incentiva as franquias da Proximo Games a desenvolver seus negócios a abrirem novas lojas, além de oferecer preços competitivos e serviços à comunidade onde eles operam.

Como vocês planejam superar a questão das altas taxas brasileiras de impostos para os produtos importados?
KB: A Proximo Games LTDA é uma empresa registrada junto ao governo federal, estadual e municipal, em Curitiba [Paraná]. Estamos importando e distribuindo produtos atualmente para lojas que não possuem a nossa marca no momento. Planejamos oferecer hardware, software e acessórios, além de todos os produtos disponíveis, através de nossa parceira, a Game Quest International. Já que compramos diretamente das publishers, nós conseguimos minimizar nossos custos e oferecer um preço mais competitivo.

Vocês têm planos de contratar pessoal aqui, ou se associar a outras empresas/marcas existentes? O que vocês procuram, no que diz respeito a parceiros e funcionários?
KB: Nós estamos atualmente operando no Brasil com uma equipe de cinco pessoas. Os contatos para entrar em contato com nosso escritório são esses [Quem quiser, peça pra mim pelos comentários - Pablo]. Eu agradeço a oportunidade e aguardo o retorno.

enviada por Pablo Miyazawa



21/10/2008 12:40

Próximo passo: Proximo Games

E o Brasil continua a me surpreender. Ok, se não é o Brasil, são as empresas que apostam no Brasil. Ou algo do tipo, vejamos.

Na semana passada, a Proximo Games anunciou, em um press release, o início de suas atividades na América Latina. Se você também jamais ouviu falar deles, não se culpe: até ontem de manhã, esse nome não me dizia nada. Mas, apesar do nome bizarro, é pra valer: é uma empresa afiliada à rede de lojas Game Quest, cujo único objetivo é abrir pontos de vendas de games em todo o continente. O Brasil, mercado inexplorado que é, obviamente está incluido na jogada. E os planos, aparentemente, são ambiciosos.



Conversei ontem com um dos cabeças da operação, Kevin Baqai, direto de seu escritório em Miami. Uma Entrevista da Semana, com as informações que todo mundo quer saber, deve ser publicada aqui, ainda essa semana (espero). Enquanto isso, fique com o site da Proximo, que revela quase nada (a parte em português ainda está "em construção"), mas já dá um gostinho dos planos dos caras.

Das duas, uma. Ou é uma muita bem-vinda concorrência a redes como Gamers, UZ Games e outras lojas menores, e, talvez, mais um passo na profissionalização de nosso mercado. Ou também pode ser mais uma evidência do abismo que separa hoje aqueles que têm condições de comprar produtos originais e aqueles que não têm outra alternativa, senão os piratas. O tempo irá dizer.

enviada por Pablo Miyazawa



15/10/2008 22:55

Genie-Zeebo: mas que bicho é esse?

Mesmo com a ressaca da noite anterior (festa da firma, sabe como é), não dá para não ficar atento e forte às novidades de nosso mercado. A mais nova veio de meu informante (que aqui permanece anônimo, claro) de assuntos relacionados à boa e velha Tectoy. Lembra daquela história do Genie-Zeebo, o misterioso projeto de console da empresa em parceria com a gigante de telefonia Qualcomm? Então, o assunto continua a render.

A mais nova fonte de informações é um parecer técnico do projeto, entregue recentemente pela Tectoy à Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O documento (que provavelmente não deveria ser público) relata as especificações técnicas do console, além de projeções de vendas, custos e outros detalhes. As informações são saborosas, e, apesar da grande quantidade de erros de português (acentuação, basicamente), o documento tem todo jeito de ser autêntico. A não ser que seja tudo uma grande brincadeira de mal gosto, ou uma jogada para levantar as ações da empresa. Será que dá para acreditar em tudo que é publicado na internet hoje em dia? Eu fico descrente, pra falar a verdade.

Sendo autêntico o tal parecer, fica claro que o Genie-Zeebo (queria saber de onde veio esse nome) existe mesmo, e sua fabricação está em andamento. Segundo o referido documento, o "telejogo" da Tectoy é... (corrigi os erros por conta própria):

...um novo console de jogos eletrônicos a ser fabricado pela empresa, modelo denominado "GENIE-ZEEBO", que utiliza a tecnologia "wireless" de celulares (EDGE/HSDPA) para o "download" de jogos de video, com controle dos direitos autorais, evitando fraudes na obtenção dos arquivos. Outra funcionalidade oferecida pelo console é a ¡nteratividade com os demais usuarios de videogames do mesmo tipo.

Baseado no "chipset* da Qualcomm, o produto utiliza tecnologia "wireless", EDGE (2G) e HSDPA/HSUPA (3G), e num poderoso processador de àudio/video que resulta em um videogame capaz de reproduzir jogos 3D com excelente definiçâo gráfica e desempenho.

Especificações Técnicas:

Características principais do "chipset" MSM7201A
WCDMA (UMTS) R6 850/1900/2100 MHz
HSDPA (High-Speed Downlink Packet Access) 7.2Mbps

HSUPA (High-Speed Uplink Packet Access) 5.76Mbps
GSM 850/900/1800/1900 MHz
GPRS/EDGE
Processador ARM 11 400MHz
Processador ARM9 274MHz
Suporte gráfico 2D e 3D
Codecs de vídeo MPEG4, H263 e H264
Áudio MP3, AAC, AAC+, WMA

Este produto inovador tem a capacidade de:
- Reproduzir jogos eletrônicos em 2D e 3D, com alta qualidade
- Reproduzir audio em formato MP3
- Reproduzir video e imagens em formato JPEG


O parecer ainda apresenta uma estimativa de demanda potencial do produto no Brasil, números bastante otimistas, por sinal (inclusive porque há expectativas de vendas em 2008. Já estamos na metade de outubro, então parece estranho):

ESTIMATIVA DE DEMANDA POTENCIAL NACIONAL DO PRODUTO

2008 - 9,31 milhöes de unidades

2009 - 9,45 milhöes de unidades

2010 - 9,59 milhöes de unidades


Mas o texto certamente se refere à demanda por videogames no Brasil de modo geral, uma vez que a expectativa de produção do Genie-Zeebo é, ainda segundo o documento:

Ano 1: 80 mil unidades

Ano 2: 240 mil unidades

Ano 3: 280 mil unidades


O parecer técnico também indica que o console terá um joystick (ainda bem!) e que ele será abastecido com jogos através de downloads:

A tecnologia de produto e processo em estudo é própria do grupo empresarial TECTOY, que a desenvolveu com apoio da Longcheer Telecommunication (H.K.) Limitd, empresa chinesa, notadamente no "download" dos jogos via transmissão de telefonia móvel GSM. CDMA e WCDMA.

Dando um Google, se encontra outras referências ao produto, inclusive no site da Suframa, que aponta a entrada de placas de circuito estrangeiras que seriam usadas na fabricação do console. Apesar dessa overdose de informações, ainda fica difícil definir que bicho é o Genie-Zeebo. Como ele vai funcionar? Quais jogos poderão ser baixados? Será compatível com algum sistema já existente? Eu aqui continuo intrigado. E você?

***

E a produtora catarinense Hoplon lançou hoje o target="blank">Taikodom. Enfim. E tem até uma festa de lançamento para comemorar, logo mais. Esse merece um brinde.

enviada por Pablo Miyazawa



14/10/2008 18:10

Falta de timing é tudo

E o mundo é muito louco.

Ontem, rolou a coletiva da Gameloft, produtora francesa de games mobile, em um hotel chique de São Paulo (é claro, eu me perdi). Presença de Rogerio Ceni, goleiro e celebridade. E muita imprensa televisiva. Um luxo. Tinha até comida. E a ocasião merecia: lançamento do game Real Football 2009, para celulares.

Daí, hoje, sai a informação de que a Gameloft mandou encerrar as atividades do estúdio de desenvolvimento da empresa em São Paulo. Quem deu a notícia foi o site do Game TV (leia a nota aqui). Ainda não consegui checar a veracidade da informação:

"O fechamento vem depois que a gerência do estúdio cancelou projetos e despediu funcionários de todas as áreas, numa ação supostamente influenciada pela crise financeira internacional.

Segundo as informações, a matriz da Gameloft, na França, teria decidido não continuar os investimentos no estúdio paulistano. As operações na América Latina devem ser concentradas agora apenas na filial de Buenos Aires."


Depois de um evento tão bem divulgado e cheio de pompa, agora isso? Não dá pra deixar de lamentar a falta de timing... e achar tudo muito esquisito. Vai saber. Amanhã a gente investiga.

enviada por Pablo Miyazawa



10/10/2008 12:43

Dar para receber

Já pediu seu presente de Dia das Crianças?

Faz pelo menos uns 20 anos que não sei o que é isso. Mas, pelo visto, a data ainda funciona bem para o comércio. Claro, videogames são o presente mais óbvio - e fácil. Recebi hoje uma nota interessante da assessoria do Buscapé, aquele site de comparação de preços. O release deixa claro que, dos cinco produtos mais procurados pelos consumidores, dois são games: o primeiro é GTA: San Andreas (para PS2); o quinto colocado é Pro Evolution Soccer 2008, para o mesmo console. A saga de Carl Johnson é encontrada por, em média, R$ 115,00. Já o jogo de futebol sai por R$ 100, podendo chegar a R$ 120.

Para os curiosos, os outro produtos mais procurados são as casas das bonecas Barbie e Polly Pocket. Mas deixa isso pra lá.

O release ainda fala dos videogames mais procurados por consumidores, e a discrepância de preço entre uma loja e outra - principalmente no caso do Wii. O console da Nintendo chega a ser encontrado por R$ 1292 e 2249, uma diferença de R$ 956, ou 74%. Já a diferença entre o PlayStation 3 mais barato (R$ 1935) e o mais caro (R$ 2459) é de R$ 523, ou 27%. "Barato" é bem modo de dizer, fique claro. É tudo muito caro do mesmo jeito.

Como não poderia ser diferente, o mais procurado ainda é o PlayStation 2 Slim, seguido pelo Wii, o PS3, o DS Lite e o PSP Slim. E cadê o Xbox 360? É provável que por ser vendida oficialmente no Brasil, a máquina da Microsoft receba pouca procura nos sites de busca. Ou talvez ela já não tenha mais tanto apelo assim entre a molecada. Ou talvez não seja bom interpretar esses números desse jeito. O fato é que, com a crise mundial a todo vapor e o dólar nervoso do jeito que está, comprar videogame lá fora pode deixar de ser a melhor saída. Ao mesmo tempo, não vai demorar para os importadores reajustarem seus precinhos para compensar as perdas. Porque a vida é assim.

Claro, se nada mais funcionar, ou se a grana faltar, sempre há picaretagens como o Wii Vision para garantir uma criança feliz.

***



Eu, se pudesse, lhe daria um presente: o livro Pong & Porn: How Grand Theft Auto, Tomb Raider and Other Sexy Games Changed Our Culture, de Damon Brown. É em inglês, mas faça um esforço. O meu já está chegando pelo correio. A obra discute como a indústria dos games modificou (e ainda modifica) os paradigmas de sexualidade, relações pessoais e tecnológicas e o comportamento da cultura pop. Ainda não li, mas os reviews que vi até agora são de primeira.

***

E a Tokyo Game Show rola a todo vapor. E eu, quando consigo, ando me divertindo com os posts em vídeo e foto do Fabio Santana, o glorioso Fabão, em sua primeira visita à Meca dos games.

E bom fim de semana para nós.

enviada por Pablo Miyazawa



05/10/2008 20:59

(Dizem que) agora vai

E aí, exerceu o seu direito cívico hoje?

Eu compareci, com uma preguiça monstruosa, ao mesmo prédio em que fiz o ginásio e o colegial (como eram chamados, no meu tempo, o ensino médio de hoje). Nenhuma grande lembrança, exceto o fato de ter votado na mesma sala onde estudei em 1993. As carteiras e cadeiras são outras. As paredes foram repintadas. Até deram um jeito na quadra de futebol de salão. Bateu um sentimento estranho de nostalgia e saudade. Mas aí, passou. Ainda bem.

Não me empolgo mais com eleições. Não me entenda errado: acho importante tomar parte das decisões e acontecimentos. Mas me parece que o debate não tem nenhuma profundidade, tanto ideológica quanto prática. Talvez, se votar fosse mais um direito do que uma obrigação, as pessoas levassem mais a sério. Cansei de discutir em mesa de bar e não ver a coisa chegar em lugar nenhum. Já fui engajado, compareci a muitos comícios, bati panela pelas eleições diretas. Atualmente, ando me ausentando das polêmicas. Está mais fácil. Mas faça o que eu digo, não faça o que eu faço...

***



A notícia do final de semana foi o anúncio do lançamento oficial de Taikodom. Se você não sabe o que é, talvez não tenha acompanhado a imprensa especializada nos últimos quatro anos. Porque desde 2004 se fala sobre este game brasileiro, um simulador espacial massivo criado pela produtora catarinense Hoplon Infotainment.

E aconteceu de tudo com o jogo nesses quatro anos: ele apareceu em eventos, ele teve betas lançados, ele recebeu novos aspectos que alteraram drasticamente a idéia inicial, ele ganhou novos investidores e perdeu o apoio de outros. Houve quem não acreditasse que ele pudesse finalmente ser lançado. Houve quem o chamasse de o Chinese Democracy dos games brasileiros, em uma referência ao jamais-lançado disco do Guns N' Roses.

Bem, deixemos a empresa explicar tudo:

A Hoplon Infotainment anuncia o lançamento do Taikodom, game massivo online, 100% brasileiro, focado no público jovem e adulto, para o dia 15 de outubro. O produto é resultado do maior projeto de jogo desenvolvido no Brasil: foram R$ 15 milhões em investimentos e quatro anos de trabalho de uma equipe que hoje conta com mais de 70 profissionais.

No Taikodom, milhares de jogadores cooperam e lutam entre si para ganhar a vida em um universo único e compartilhado entre todos. Após criar seu personagem, o jogador “incorpora” em um avatar e pilota sua própria nave em tempo real, escolhendo a posição que vai assumir: pirata, patrulheiro, transportador, entre outros papéis.

Os desafios são infinitos e há inúmeros sistemas estelares por onde navegar. Cada jogador escolhe seus próprios objetivos, que podem ser simples, como explorar o espaço em busca de riquezas, ou extremamente complexos, como construir e gerenciar megacorporações espaciais. A história do universo é determinada pelas atividades dos participantes. (...)

Com o game, a Hoplon pretende buscar para o Taikodom a popularidade que filmes e seriados de TV deram a outros universos de ficção científica mundial, ao exemplo de Star Wars e Star Trek. Para desenvolver a história que abrange um quarto de milênio, os criadores resolveram seguir o exemplo das grandes franquias, contratando escritores profissionais de peso: primeiro o renomado escritor de ficção científica Gerson Lodi-Ribeiro, que trabalha com a Hoplon desde 2004. Mais recentemente, o jovem escritor João Marcelo Beraldo.

O rico e detalhado universo ficcional já tem em produção a minissérie em quadrinhos “Eterno Retorno” e diversos livros que agora começam a ser publicados em parceria com a Devir Editora - o primeiro deles, “Taikodom: Despertar”, estará à venda em outubro.

O modelo de negócio estabelecido pela Hoplon oferece acesso gratuito aos usuários, mediante cadastro e download. A receita virá da cuidadosa integração de publicidade ingame – que permitirá às empresas colocarem sua marca no game no mesmo estilo discreto dos filmes de James Bond -, da venda de itens e, principalmente, da venda de pacotes de benefícios para melhorar a performance dos participantes que têm menos tempo para jogar.

“A perspectiva da Hoplon é recuperar o investimento em três anos”, explica Tarqüinio Teles, acrescentando que o jogo deve alcançar 100 mil jogadores ativos em três a quatro meses, sendo o principal público alvo jovens de 18 a 34 anos, classe AB.

Nos próximos meses mais dois games serão entregues – um tático e um estratégico – além do mundo virtual, todos integrados para que os jogadores circulem entre esses diferentes estilos, livres para participar do game da maneira que preferirem. O game de ação é só o início do que será o primeiro MSG - Massive Social Game – já desenvolvido. O diferencial dos MSGs é unir diferentes estilos de game em um só universo, mesclando os metaversos com os MMOGs (Massively Multiplayer Online Games), o que permite a participação de milhares de jogadores em um mesmo mundo virtual.


Um evento deve marcar o lançamento de Taikodom nos próximos dias. Confesso que estou curioso para ver no que isso tudo vai dar. Será que iniciativas que envolvem sonho, perseverança e muito esforço dão certo no Brasil? Eu costumava ser otimista há alguns anos...

enviada por Pablo Miyazawa



01/10/2008 00:22

Aquele vai e vem de sempre

Muitas mudanças e coisas acontecendo no mercado brasileiro esses dias, principalmente no lado editorial. Vejamos (é bastante coisa):

* É um vai-e-vem (quase) alucinado nas redações. Apesar de o PlayTV estar parado, o site da emissora (o GameTV) continua na ativa - agora, está nas mãos de uma empresa terceirizada (a equipe que trabalhava lá foi trocada). O portal agora está no comando do onipresente Odair Braz Jr., que já trabalhou em todos os locais imagináveis - entre eles, a Conrad/Futuro, onde ele capitaneou a equipe de redação das revistas de games (foi meu chefe por lá por um tempão). E ele agora até tem um blog!

Junto com ele, mais dois figuras fáceis das redações: o Rodrigo Guerra, que também foi da Conrad/Futuro (editou a SuperDicas PlayStation) e estava na PS3W da editora Digerati, e o Rômulo Mathei, que estava na editora Europa. A tarefa da equipe é reformular o site e mantê-lo andando. Boa sorte a todos na empreitada.

* E por falar em PlayTV, o Renato Viliegas deixou o cargo de gerente de jornalismo para partir para uma carreira solo. Agora, ele comanda sua própria produtora de vídeos, a GMR Mídia. Quem quiser trocar uma idéia com ele ou oferecer bons trampos, é só me pedir o e-mail dele.

* E lá na Digerati também tem novidade. O projeto Audiogame se separou (amigavelmente, eles garantem), e seus polêmicos podcasts viraram história (mas o Pablocast um dia deve voltar...). Enquanto isso, o Gustavo Lanzetta virou o responsável pelo blog da editora, além de outros projetos futuros que ele ainda não pode divulgar quais são.

* E a Tokyo Game Show? A única grande feira de games que não visitei continua firme e forte (este ano rola de 9 a 12 de outubro), e a imprensa brasileira continua comparecendo em peso por lá. Este ano, são vários os profissionais que vão cobrir o evento in loco (todo mundo ignorando a crise mundial e gastando, é assim que eu gosto). O Théo Azevedo e o Akira Suzuki estão indo pelo UOL Jogos. O Fabio Santana, o Fabão, vai pela editora Europa. E tem mais um editor de uma conceituada revista que deve embarcar para o Japão também, mas ele ainda não me autorizou a revelar a informação...

* E por falar em EGM Brasil, a próxima edição da revista trará a participação de algumas velhas caras que andavam afastadas do mundo das publicações de games. Não vou dizer quem, mas são caras que já editaram revistas especializadas antes e há muito não publicam suas opiniões por aí.

* Já a Nintendo World deste mês, que recebi hoje pelo correio, comemora o décimo aniversário da revista. Quem diria, parece que foi ontem que capturei telinhas para aquela edição 1 de capa amarela... é, o tempo passa, a gente envelhece, os games continuam a ser importantes em nossas vidas. Que beleza.

* A Ubisoft passou o mês de setembro entrevistando pessoas para as vagas de produtor. Agora em outubro, começam as conversas com os possíveis programadores e designers. Conheço gente que já passou pela sabatina do Bertrand Chaverot, outras que ainda irão passar. E ele teve trabalho - foram mais de 10 mil currículos recebidos em poucos meses. O processo de seleção, com tanta procura, tem mesmo que ser apurado. Vamos ver. As coisas estão andando firmes por lá. Acho que muito em breve teremos notícias oficiais sobre o progresso do estúdio da publisher no Brasil.

Você passou por essas entrevistas? Divida sua experiência ali embaixo nos comentários.

*Pelo terceiro ano consecutivo, o Video Games Live veio ao Brasil. Os shows rolam em Curitiba (na quinta), Rio de Janeiro (domingo). O show em Brasília rolou neste domingo passado. E nada de São Paulo, então desta vez eu não vou. Você foi/vai? Então me conta.

*E Rock Band 2, já pegou o seu? E LittleBig Planet? E The Force Unleashed? Começou aquela fase do ano...

E vamos que vamos, que por hoje está bom demais.

enviada por Pablo Miyazawa



26/09/2008 20:35

Entrevista da Semana: Peer Schneider (IGN) - Parte 2



Conforme o prometido, leia a seguir a entrevista com Peer Schneider, vice-presidente sênior do portal IGN.com. Nesta segunda parte do papo, ele fala sobre jornalismo de games, produção de conteúdo por parte do público, e até se arrisca a falar sobre o Brasil (infelizmente, desmentindo uma informação que dei neste blog há uns bons dois anos). Leia, pense, reflita a respeito e comente no final.

Gamer.br: Quando vocês olham para todo o conteúdo editorial que produzem, é levado em consideração que muitos de seus leitores não moram nos Estados Unidos ou Canadá e não falam inglês? Em resumo, quem é o público-alvo do IGN e quais são as diretrizes editoriais que vocês seguem nesse sentido?
PS: Apesar de termos muitos visitantes de todas as partes do mundo, nós estamos atualmente focados no mundo falador de inglês. Nós temos equipes e sites nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e na Austrália - mas isso não quer dizer que não queremos estender nossos tentáculos para outros mercados no futuro. Com um site com nosso tamanho e abrangência, não é nada fácil localizar todo o conteúdo.

Atualmente, os usuários não são apenas consumidores, mas se tornaram criadores de conteúdo - eles fazem seus próprios blogs, sites e podcasts, e tem sido dito que eles conseguem até competir com os grandes sites. Qual é a postura do IGN, no que diz respeito ao conteúdo criado pelo usuário?
PS: Nós adoramos o conteúdo criado pelo usuário. O IGN oferece um dos maiores fóruns de discussão do mundo, e adicionamos diversas maneiras para nossos usuários colaborarem. Eles podem comentar as matérias, escrever guias de estratégia e FAQs, fornecer dicas, criar e compartilhar suas próprias coleções de games, mandar frases e escrever seus reviews. Claro que sempre é possível fazer mais, e nós faremos.

Você acha que a agilidade e a espontaneidade desses pequenos blogs-de-um-homem-só chegam a prejudicar ou incomodar os grandes portais corporativos como o IGN?
PS: É claro. Muitas vezes, nós estamos por dentro de um certo jogo, mas temos que esperar que a empresa concorde em divulgar informações que nos permitam fazer a cobertura. Enquanto isso, alguns blogs conseguem o mesmo conteúdo através de outra fonte e os publicam na hora. Mas os blogs também possuem um foco diferente que pode vir a complementar os nossos sites. Um blog é como um jornal diário, enquanto o IGN é também uma enciclopédia com centenas de milhares de vídeos, informações sobre jogos e muito mais. Por exemplo, o GameStats.com ou o Rotten Tomatoes agregam notas de resenhas de todas as publicações. Você digita o nome de um jogo e encontra uma visão média e objetiva. Um blog pode servir como uma dessas vozes, mas não irá oferecer a cobertura mais aprofundada que você pode encontrar [no IGN].

Hoje existem muitos jornalistas de games indo para o outro lado da indústria, para trabalhar na área de relações públicas das produtoras de jogos, mas não vemos muitos criadores de jogos seguindo para o caminho do jornalismo de games ou a crítica. Por que você acha que isso acontece?
PS: bem, se você é um criador de games bem sucedido e tem a capacidade de usar a imaginação para bolar jogos, é sem dúvida difícil voltar e querer escrever sobre produtos que outras pessoas criaram. Sair da cobertura de games para criar um game propriamente dito dá a sensação de um passo adiante, enquanto o inverso não, criativamente falando. Se você é um fanático por cinema, seu sonho é com certeza dirigir ou estrelar o seu próprio filme. Mas eu duvido que existam muitos diretores que pensem "nossa, eu adoraria escrever sobre filmes". Dito isso, nós temos diversos redatores que antes eram desenvolvedores de jogos.

Como você começou a cobrir e a escrever sobre games?
PS: Eu era bem ligado em games quando criança, mas daí me desinteressei quando a indústria implodiu. Foi só quando comecei a me envolver com textos e design de web que voltei aos videogames - daí criei meu próprio site de fã para aprimorar minhas habilidades. Antes de eu notar, eu tinha um site de sucesso. Eu ia para a faculdade de jornalismo durante o dia, e escrevia sobre games à noite. Era algo relaxante pra mim - cobrir coisas legais ao invés de coisas sérias da vida real. E quando soube que uma editora de revistas estava querendo expandir para o mundo online, eu me candidatei à vaga.

Você nasceu na Alemanha, daí foi morar no Japão. Agora, você já vive há um bom tempo nos Estados Unidos. Você acha que essas mudanças foram as razões pelo sucesso em sua carreira profissional? O que você poderia recomendar para blogueiros e jornalistas independentes que sonham em trabalhar para a grande mídia?
PS: Saber falar japonês e conhecer como funciona o mercado de lá com certeza foi uma vantagem, mas habilidade com um idioma não é algo tão importante quanto ter paixão por um assunto e saber escrever bem. Meu maior conselho é começar um blog ou um site pequeno e estabelecer uma voz para si mesmo. Tente fazer algo diferente, como apresentar uma nova visão sobre os games, e você será notado. Se alguém se candidatar a uma vaga no IGN e tiver um blog ativo, além de possuir uma persona online popular, eu contrataria facilmente essa pessoa no lugar de alguém formado em jornalismo.

Há alguns meses, eu ouvi um boato relacionado aos possíveis planos do IGN.com e um contrato de licença de conteúdo no Brasil. Há algum plano para uma versão em português, ou mesmo uma parceria por esses lados?
PS: Nós adorariamos expandir para a América Latina - não só traduzindo as matérias, mas cobrindo o mercado local, mas ainda não temos nada definido para divulgar nesse sentido por enquanto.

enviada por Pablo Miyazawa



24/09/2008 16:48

Entrevista da Semana: Peer Schneider (IGN) - Parte 1

Esta estava prometida havia muito tempo, mas só agora consegui publicar: a entrevista com o Peer Schneider, vice-presidente senior do grupo IGN Entertainment, responsável pelo maior site de games do planeta. Para você ter uma idéia, ele bateu um papo com o Gamer.br uma semana após o final da E3, no final de julho. A entrevista não ficou datada, pelo contrário. Peer, responsável pelo portal há anos, se mostrou um cara lúcido e completamente ligado no mercado e na nova relação entre mídia e público, e deixou isso claro nas respostas sempre coerentes e cheias de detalhes. Dividi a entrevista em duas partes, para você não se entediar (e voltar aqui amanhã novamente). Nesta primeira, ele fala basicamente sobre a E3 e o futuro da guerra dos consoles. Na parte dois, ele fala sobre jornalismo de games, a nova ordem dos blogs e a história de sua carreira. Confira as duas partes, e como sempre, ponha seu comentário no final.

Gamer.br: De modo geral, quais foram os grandes momentos da E3 deste ano? Melhores games, as maiores decepções, os momentos mais bizarros...
Peer Schneider: A E3 deste ano deu a sensação de estar incompleta - não só por causa da sensação de local vazio, mas porque as maiores empresas presentes no show preferiram não revelar grandes novidades. Em geral, o evento em si foi um pouco decepcionante. A coletiva de imprensa da Nintendo parecia uma apresentação para crianças - não para a imprensa especializada ou para os varejistas - enquanto a Sony e a Microsoft fizeram pouco para se diferenciar uma da outra. A apresentação da Nintendo foi constrangedora, mas o momento mais bizarro foi definitivamente quando a Microsoft apresentou os avatares da rede Xbox Live e as demos de Lips e You're in the Movies que vieram logo em seguida. Muita gente riu na platéia quando o apresentador anunciou que eles iriam demonstrar como surgiu a idéia dos avatares. Um jornalista atrás de mim gritou: "Você quer dizer, como o Wii inventou isso, né?" Nossa equipe escolheu o Fallout 3 como o melhor jogo do evento. A combinação de estilo clássico da franquia, com elementos de tiro em primeira pessoa e ambientação no estilo Elder Scrolls funcionou muito bem.

Algumas pessoas de dentro da indústria disseram que esta foi a última E3 como a conhecemos. Até mesmo o IGN publicou uma matéria sobre essa possibilidade. Qual sua visão pessoal sobre o evento deste ano? Poderia ser melhor? Poderia ter sido pior?
PS: É claro que sempre poderia ser pior. Enquanto o circo da mídia foi mais representativo nos anos anteriores na cobertura do nosso hobby favorito, os games, isso tornava realmente difícil nos concentrarmos nos jogos e na cobertura da feira. Este ano, tivemos muito mais tempo para jogar os games e nos aprofundarmos mais. Infelizmente, as empresas em sua maioria trouxeram jogos que já tinhamos visto e as surpresas foram bem poucas. Nosso evento dos sonhos seria em um local menor, como o Moscone Center de São Francisco, e sermos levados a sério pelas empresas, que realmente nos surpreenderiam com grandes novidades.

Você compareceu às três principais coletivas de imprensa (Microsoft, Nintendo e Sony). Poderia falar sobre cada uma delas? quem ganhou a tradicional "guerra das coletivas" nessa E3?
PS: Essa é fácil. Apesar de a Microsoft não ter mostrado seus games "A", ela apresentou a coletiva com mais surpresas. O anúncio sobre a [locadora online] Netflix é algo grande - e o lançamento da nova dashboard e o anúncio de Final Fantasy XIII resultaram em uma boa apresentação. A Nintendo ficou lá atrás em terceiro lugar, com uma apresentação sem riscos que tentava convencer o público de que a empresa não está dormindo sobre os seus próprios louros. Animal Crossing pro Wii não se distinguiu nada das versões anteriores para DS, GameCube e N64.

Você pode me dar uma luz sobre o que esperar da guerra dos consoles em 2009? A Nintendo irá continuar num caminho separado, enquanto a Microsoft e a Sony brigarão entre si pelo domínio do mercado? Veremos alguma mudança nesse horizonte?
PS: Sim, ficou óbvio que a Nintendo está num caminho solitário, seguindo uma rota lucrativa voltada para a família que obteve com o lançamento do Wii. Um dos desafios é que esse tipo de público-alvo representa um ciclo de vida muito curto - é só olhar quanto gás o PlayStation 2 ainda tem após todo esse tempo. Então, eu espero que a Nintendo lance algumas pérolas para os gamers hardcore também, incluindo aí Mario, Zelda, Kid Icarus, Pikmin e Metroid. Mas a inovação estará em sua maioria limitada aos seus novos jogos com orientação mais casual. A Microsoft está sofrendo uma certa crise de identidade nessa idéia de fazer tudo para todo mundo. Os jogos voltados para jogadores mais novos e para a família não se deram bem no passado, mas a empresa não desistiu disso ainda. Será interessante ver se eles conseguem crescer nesses dois lados. Já a Sony está totalmente focada no jogador hardcore. O hardware é ótimo, mas ainda há muito a ser feito no que diz respeito ao software. Tenho certeza que veremos mais esforços para assegurar franquias exclusivas para a plataforma, como Metal Gear, para se equiparar a uma lista de exclusividades que já não existe mais, que já chegou a incluir nomes como Tomb Raider, Final Fantasy, Dragon Quest, Devil May Cry e Soulcalibur, só para citar alguns.

Quando os leitores visitam seu site e acompanham a gigantesca cobertura que vocês fazem, eles mal imaginam o que é pensar, planejar e executar tudo isso. Você poderia me dar uma breve idéia de como vocês planejam a cobertura, dividem as funções entre os redatores e conseguem os furos exclusivos com as empresas?
PS: Bem no início de tudo, decidimos que queriamos dividir o conteúdo do IGN por plataforma. Ao invés de ter alguém só responsável pelos reviews, tinhamos uma equipe a cargo de cobrir o Xbox 360. Cada um desses segmentos teve um editor-chefe e um time de redatores que trabalham juntos para garantir reportagens exclusivas e cobrir cada plataforma em questão da melhor maneira possível. O editor-chefe pautava os redatores e trabalha com a ajuda de outras equipes de apoio, como a equipe de vídeo, gerentes de dados que mantém as datas de lançamentos e informações de cada jogo atualizadas, e por aí vai.

Nós checamos a visitação diariamente, e decidimos a cobertura baseado no que os visitantes querem ler. Por exemplo, no mês passado [junho], milhóes de leitores clicaram nos conteúdos sobre o filme O Cavaleiro das Trevas e sobre o game Gears of War 2. Daí nós senamos e planejamos como prosseguir com a cobertura desses títulos e entregar aos leitores realmente tudo o que eles poderiam desejar.

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Leia a continuação da entrevista com Peer Schneider amanhã, aqui mesmo, no Gamer.br.

enviada por Pablo Miyazawa



18/09/2008 02:54

O Play 2 é mais Brasil. E aí?

Enquanto a Nintendo reclama da política tributária brasileira (a matéria saiu esta semana na Isto É Dinheiro, mas já havia sido dada pela imprensa especializada que visitou o evento da empresa no Panamá, há algumas semanas), a Sony Brasil emplacou seu projeto de produzir consoles PlayStation 2 e jogos na Zona Franca de Manaus (saiu no Diário Oficial de duas semanas atrás, que se referia ao caso assim: N.º 108/08 - SONY BRASIL LTDA.: (Diversificação). Produção de telejogo, tipo "PLAY STATION 2".

O que não quer dizer necessariamente que vá mesmo acontecer, uma vez que a assessoria da Sony limitou-se a declarar que está apenas garantindo espaço caso resolva comercializar o console oficialmente por aqui. Mas a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) já divulgou que o negócio está avançado, e até revelou os valores do investimento da Sony (na casa dos R$ 9 milhões) e a quantidade de peças possivelmente produzidas (por volta de 450 mil consoles no primeiro ano de produção). Por enquanto, é preciso esperar para acontecer. Mas já está dito e publicado, então, é praticamente lei.

Uau. Seria uma notícia incrível, se fosse divulgada há dois, três, quatro anos, certo? Hoje, com a nova geração praticamente consolidada, todo mundo só pensa em PlayStations 3, Wiis, Xbox 360s... Não é besteira gastar esforços com um projeto atrasado? Ou será que ainda há uma janela de oportunidade em nosso mercado para a chamada "velha geração"?

É óbvio que há. E a Tectoy sabe disso, e continua colocando no mercado versões "turbinadas" (ou recicladas) de seu Master System e do Mega Drive (o mais recente, o Mega Drive 3, traz versões de games da Electronic Arts na memória). E ganha dinheiro com isso, ou não continuaria fazendo. A verdade é que ainda há um Brasil inteiro sedento por videogames e suas possibilidades. A parcela da população com acesso - financeiro e social - aos consoles de ponta ainda é ínfima, se observarmos a bizarra realidade da distribuição de renda nacional. Acredite, o PS2 ainda é um objeto de desejo para muita gente. E continua vendendo muito pelo país todo, principalmente pelas vias ilegais. A Sony Brasil quer tirar sua parte nisso, uma vez que o lucro com a venda de consoles contrabandeados não vai para seu cofrinho.

O fato de ser fabricado no Brasil e estar disponível com manual em português nas Casas Bahia não fará obrigatoriamente o PS2 nacional explodir de vendas, mas é um indicativo positivo em um mercado tão maltratado como o nosso. Mas não vamos nos enganar: não é porque o consumidor comprará um console nacional que não irá instalar um modchip nele para jogar games piratas. Porque é assim que funciona o nosso país de Gersons: pra que pagar mais se é possível pagar (bem) menos?

Em um dia bem humorado, eu diria que essa notícia é relevante, mesmo para aqueles que consideram o PS2 um artigo relacionado a um passado distante. E citaria aquele velho ditado, que prega que "com um passo por vez, logo se chega a algum lugar". Mas como estou de mau humor essa semana, me pergunto: chegaremos onde? Será que não é "só" isso que podemos almejar? As produtoras continuam a se declarar otimistas de que, apesar dos percalços, o Brasil irá em breve dominar o mercado latino-americano.

E você, está tão otimista assim?

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Um amigo recém-chegado de uma longa viagem perguntou hoje, via MSN:

- Onde posso comprar games para PS3 que não custem aqueles preços absurdos?

Respondi, sem nem pensar:

- Nos Estados Unidos, ué.

Adoraria poder indicar uma solução menos irônica e mais palpável.

enviada por Pablo Miyazawa



14/09/2008 12:56

O empate é a nova vitória

Nada como um fim de semana na casa da mãe...

Agradeço as mensagens de parabéns pelo aniversário do Gamer.br. Foram de emocionar. Prometo novidades para os próximos dias, inclusive uma investigação mais apurada sobre a alardeada fabricação de consoles PlayStattion 2 em nossas terras. Vai rolar mesmo, não era mentira. Quem diria? E uma segunda análise do arrasa-quarteirão Spore, que já traz polêmica com nem uma semana de mercado. Não encontrei um único sujeito que não tivesse uma opinião contundente sobre o jogo. Preciso rever minhas palavras...

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Ontem, participei do Campeonato de Blogueiros promovido pela Samsung durante o World Cyber Games, em São Paulo. A disputa foi no Pro Evolution Soccer 2008, entre 32 blogs e seus representantes. O vencedor - que será conhecido daqui a pouco - leva como prêmio a possibilidade de cobrir a final do WCG lá em Köln (Alemanha). Por conta disso, o povo jogou com afinco, mas sem deixar o fair play de lado.

Fazendo jus à minha fama, tive uma performance pífia. Me salvei da humilhação empatando o primeiro jogo com o blog MMO Blog, do Paraná, em uma partida decidida nos últimos minutos. Aí, apanhei de 3 a 0 do Rocco, representante do BananaGames, em um jogo marcado por expulsões (do meu lado, uma delas injusta, seu juiz!). E por fim, só pra cumprir tabela, perdi de 1 a 0 do EuPodo. Pelo, menos, marquei um golzinho. E encontrei gente bacana que só conhecia virtualmente. Foi uma confraternização interessante, que espero que tenha continuidade em eventos futuros. Uma classe unida, essa dos blogueiros de games. Fiquei animado de ver.

A final do WCG continua hoje lá no campus da Unicsul, na Zona Leste. Os vencedores representam o Brasil na Alemanha em novembro. Estou particularmente curioso para ver o que vai dar na disputa de Guitar Hero III. É humilhante presenciar aquele povo jogar. Humilhante para jogadores de fim de semana como eu, que não se arriscam fora do modo hard. E o termo "viciado" ganha um significado atualizado para os dias atuais. Medo.

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E não passou batido, só atrasei: faço uma tardia lembrança ao jornalista Leandro Calçada, ex-editor de revistas da Editora Europa, que há dois anos e alguns dias nos deixou. Meu sincero abraço, onde estiver.

enviada por Pablo Miyazawa



10/09/2008 18:10

O Gamer.br faz dois anos...

E este blog fez mais um aniversário e você nem percebeu!

O Gamer.br estreou neste endereço em uma data próxima a esta, no ano de 2006. Foi no dia 4/9/2006, com o post Pressionando Start, e o clichê-monstro "O maior problema de começar um novo blog é o que se escreve na primeira linha".

Assim comecei, e assim tenho escrito desde então neste local: mesclando bons e velhos clichês literário-jornalísticos com um monte de informações obtidas de maneira nem sempre legal, boatos e opiniões nem sempre coerentes. É disso que é feito um bom blog. Fazendo o advogado do diabo, eu bem poderia postar com mais freqüência, mas acho que isso já deixou de ser um problema faz tempo. Além do que, se desculpar muito é chato. E, por último, nem sempre acontece algo digno de nota nesse nosso esforçado e surpreendente mercado de games brasileiro.

E aqui, aproveito para agradecer a você, visitante. Que caiu aqui por acidente, ou que me visita sempre. Que está lendo desde o início, ou que descobriu este site por acaso, googlando sem rumo. Ou que viu o endereço na EGM, na Rolling Stone ou em alguma matéria sobre blogueiros. Dois anos é tempo demais para qualquer coisa hoje em dia - que dirá para um blog opinativo sobre videogames. Mas a gente vai levando, tentando sempre fazer melhor. E se você continuar sempre por aqui, vai melhorar com certeza.

Então, é isso. Aceito os parabéns por aqui. E logo tem promoção bem legal pra comemorar.

enviada por Pablo Miyazawa



05/09/2008 18:22

Spore, a nova Gamers, WCG, 360... e a Madonna

Semana de notícias, fim de semana de acontecimentos. Aliás, como passou rápido esse mês de agosto. E setembro então, que já está no fim? Pra mim, fechando uma revista que vai para as bancas no dia 10 de outubro, é quase como se fosse.

Vivemos na era da antecipação. Você também passou a madrugada de anteontem tentando comprar ingressos para o show da Madonna? Se não, sorte a sua. E por que tanto barulho por um evento que acontece em... mais de 100 dias? E eu lá sei o que vou fazer amanhã? Pois é.

E por falar em pr&eacut