16/07/2008 22:12
E3 2008: A Coletiva da Nintendo
Acabei nem comentando as conferências da Nintendo e da Sony, por pura falta de tempo (e saúde). Já o fiz exaustivamente no site da Rolling Stone, então vou dar uma resumida breve no que vi nas duas coletivas, sem economizar nas alfinetadas. Em ambos os casos, as empresas não fizeram nada mais do que se esperava delas: valorizaram seus próprios produtos, números e feitos e mostraram pouquíssimas surpresas. Primeiro falo da Nintendo. Depois, da Sony.
O evento da Nintendo, no Kodak Theater (Hollywood), começou às 9h05, um atraso de cinco minutos em relação ao horário previsto. Ainda bem, porque foi exatamente a quantidade de tempo que atrasei (a noite anterior havia sido longa...) Mais uma vez, a empresa japonesa reforçou seu foco no jogador casual e nas possibilidades interativas de seu console Wii e do portátil Nintendo DS - atualmente, os mais vendidos em suas próprias categorias. O primeiro anúncio foi o game Shaun White Snowboard, estrelado pelo ídolo norte-americano mais conhecido como "Flying Tomato" (para se ter uma idéia, ele já foi capa da Rolling Stone americana). O game simula a experiência do surfe nas neves se utilizando da Wii Balance, a plataforma-acessório que acompanha o game Wii Fit. Pareceu interessante, mas em se tratando do Wii, fica difícil saber o que é interatividade e o que é ilusão - principalmente em uma performance em cima de um palco.
Em seguida, Satoru Iwata, o presidente global da Nintendo e velho conhecido dos nintendistas fez uma longa explanação sobre a estratégia da empresa para com seus consoles e o porquê do foco no jogador casual (ele já poderia ter perdido um pouco daquele sotaque, mas acho que ele já se utiliza isso como um charme pessoal). Iwata exaltou a quebra da "barreira psicológica" que separava jogadores dos não-jogadores, e a intenção de desenvolver novos paradigmas de mercado relacionados aos conceitos de interatividade, criatividade e comunidade. Aquela conversa de sempre. Pelo menos, desta vez, a Nintendo tinha números para se auto-declarar "a empresa que vai quebrar paradigmas".
Para ilustrar esse objetivo, a Nintendo economizou na quantidade de games exibidos, dando prioridade a poucos produtos, porém impactantes. Animal Crossing: City Folk, game para Wii com foco no público infantil, valoriza a comunicação remota entre jogadores de diferentes partes do mundo com o acessório-microfone WiiSpeak (que será vendido por US$ 29,99 nos EUA). Sinceramente, está parecido demais com a versão para GameCube, e os features novos não me soaram como grande novidade. Posso estar errado, mas, como ex-jogador da versão para Cube, achava que pelo menos os gráficos poderiam ter melhorado um pouquinho....
Para o Nintendo DS (aquele que vendeu 70 milhões ao redor do mundo), o esforço foi voltado para franquias consagradas em outras plataformas não portáteis, como Spore Creatures, Guitar Hero World Tour: Decades e .Grand Theft Auto: Chinatown Wars (o único desses que foi realmente aplaudido pela platéia). A Nintendo quis provar que sua máquina de duas telas é muito menos um videogame e mais "uma companhia natural para todos", dando pistas de que poderá transformar seu portátil em um utilitário em um futuro não muito distante. Eles citaram a possibilidade de usar o DS como um guia de informações em aeroportos, ou como livrinho de receitas, entre outras pirações.
Daí, chegou a hora do Wii, e eu confesso que esperava pelo menos uma surpresinha relacionada às franquias de sempre... que nada. O foco no gamer casual ficou ainda mais evidente. O alarde foi grande para anunciar o Wii Sports Resort, a "versão verão" de Wii Sports. Reggie Fils-Aime, o homem Nintendo no ocidente, aproveitou para mostrar um "acessório" que eles batizaram de "Wii MotionPlus". A pecinha, que é encaixada abaixo do Wiimote, é um upgrade natural à tecnologia do controle, então nem deveria ser vendida - a Nintendo bem poderia distribuir de graça a peça a todos os possuidores de um Wii.
Quando Miyamoto subiu ao palco, veio Mario, Zelda, Donkey Kong ou Samus. O maior produtor de games de todos os tempos estava usando o Wiimote para tocar um saxofone. A cena você deve ter visto em vídeo, e garanto que ao vivo era ainda mais bizarra. Aquilo era Wii Music, a investida particular da Nintendo no mundo musical. Com movimentos no joystick, o jogador simula o ato de tocar uma bateria, um saxofone, um violino ou uma guitarra, entre mais de 60 instrumentos (na coletiva eles disseram 15, mas o release diz 60. Vai entender). Daí, Miyamoto, convocou uma orquestra composta por funcionários da própria empresa, em um momento que beirou o cômico e o constrangedor. Está virando moda pagar mico em conferência para imprensa...
Acabei de tocar a bateria lá embaixo, e é bem mais difícil do que parece, além de bastante realista. Penei pra conseguir fazer uma seqüência simples de bumbo-caixa-chimbal, e olha que já toco bateria há bastante tempo. No fim, fiquei mais impressionado agora do que fiquei ao final da coletiva. Mas não encontrei uma pessoa ali que tivesse realmente ficado feliz com o material apresentado pela Nintendo. Neste instante, a empresa está fazendo uma apresentação secreta e especial, e é possível que mostre algo diferente lá (foi assim com o Super Smash Bros. Melee há alguns anos). Quem sabe?
enviada por Pablo Miyazawa
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