Pablo Miyazawa é um dos editores da revista Rolling Stone. Foi editor da EGM Brasil, Nintendo World e Herói e colaborador da Folha,
Set e MTV. Também é sócio do coletivo Gardenal.org.





Cobertura da E3 2008:
Coletiva da Microsoft
Coletiva da EA
Coletiva da Nintendo
Coletiva da Sony
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14/07/2008 18:18

E3 2008: A Coletiva da Microsoft

A coletiva da Microsoft, no LA Convention Center, acabou há pouco mais de uma hora.

Praticamente todo mundo que aqui estava já foi embora. Na certa foram almoçar longe daqui para evitar os preços abusivos da cantina do West Hall (8 dólares por uma pizza?). A coletiva da EA começa daqui uma hora, não muito longe daqui, então deve estar todo mundo a caminho (menos eu. Me deixaram aqui, safados).

Como você já deve ter lido por aí, não rolaram assim tantas surpresas - se é que o anúncio de Final Fantasy XIII para o 360 pode ser considerado uma supresa. É surpreendente, mas não é um game exatamente novinho, e é sobre isso que estou falando. Nada que foi mostrado na coletiva de quase duas horas de duração era exatamente uma novidade para quem acompanha de perto esta indústria. Se levarmos em conta o "fator surpresa", o evento particular da Microsoft pode até ser considerado um fracasso, se comparado aos de anos anteriores. Mas é claro que não foi. É que nós jornalistas de games temos uma tendência ao exagero, principalmente durante essa época de E3.

***

Faltou Carisma

Às 9h30 da manhã, a fila para a entrada no pavilhão do West Hall já fazia curvas por entre os pilares. Um pouco menor era a fila para o registro na E3 e a retirada da credencial. Me surpreendi com a pontualidade e a quantidade de gente, mas logo notei que não estava tão lotado assim. Lá dentro, acomodados, haviam pouco mais de 2 mil pessoas - um público bastante discreto se comparado ao das coletivas pomposas que a Microsoft fez no Shrine Auditorium (em 2005) e no Chinese Theater (em 2006). Tudo era bastante discreto, quase silencioso. A iluminação esverdeada era a de praxe, e o bom humor dos vídeos exibidos no telão (Street Talk in Los Angeles, procure no YouTube) tornava a espera menos desagradável. Na entrada, o segurança me alertou que eu não deveria fotografar durante o evento, mas é óbvio que tratei de ignorar a ordem, da mesma maneira que quase todo mundo que estava ali. Sentado em um assento dos mais desconfortáveis (era impossível não esbarrar no braço do companheiro do lado), pude sentir uma leve ansiedade no ar. Leve mesmo, incomparável com o burburinho quase insuportável de anos anteriores.

Para começar, Don Mattrick, vice-presidente senior do negócio Xbox, se apresentou como o mestre de cerimônias da manhã. Ficou claro, assim como com os outros executivos que se arriscaram na tarefa, que a falta de carisma e magnetismo era predominante no palco montado pela Microsoft. A platéia, constrangida em diversos momentos, colaborou educadamente para não estragar a festa, mesmo em ocasiões que realmente pediam uma vaia (o microfone falhou algumas vezes, entre outros pequenos problemas técnicos). E nem vou comentar o fato de a maioria das novidades da Microsoft serem baseadas em features apresentados há anos por suas concorrentes - a captura de movimentos de We Are in the Movies é idêntica ao que o EyeToy da Sony faz; a leitura de código de barras de cartinhas de Viva Pìñata: Trouble in Paradise é Pokémon puro. Lips é a cara de SingStar; e os novos avatares da rede Xbox Live são apenas mais bem feitinhos que os Miis da Nintendo. Mas deixa isso tudo pra lá...

***

Linha de frente

Primeiro, rolaram as demonstrações especiais dos quatro principais jogos para a plataforma em 2008: Fallout 3, híbrido de game de tiro e RPG carregado de humor ácido e violência gráfica em um futuro pós-apocalíptico; Resident Evil 5, seqüência da franquia de terror psicológico que apresenta um modo cooperativo online para dois jogadores; Fable 2, RPG revolucionário do produtor britânico Peter Molyneux; e Gears of War 2, continuação do game de tiro mais popular do Xbox 360 (logo atrás do arrasa-quarteirão Halo 3). Todos acompanhados de vídeos-demonstrações muito bem ensaiadas e os discursos manjados de seus respectivos produtores. Molyneux anunciou empolgado que "Fable está pronto" e sai, enfim, em outubro. Cliff Bleszinski, cabeça por trás de Gears of War, apresentou corte de cabelo novo e uma data de lançamento para sua continuação (7 de novembro de 2008). E Jun Takeuchi, produtor do novo Resident Evil, mostrou um modo cooperativo online não muito empolgante e a data: 13 de março de 2009.

***

Rock 360

Como não poderia deixar de ser, os games musicais tiveram espaço de destaque na coleitiva. Guitar Hero: World Tour e Rock Band 2 mereceram alarde, mas não mais do que o karaokê turbinado Lips, criação da própria Microsoft.

Guitar Hero: World Tour trará seu modo de criação de músicas que podem ser compartilhadas com outros jogadores via conexão online e interpretadas com os instrumentos - a opção de jogar com bateria e microfone está garantida, assim como em Rock Band. Outra novidade recebida com frieza é que o game permitirá a compra online das músicas do disco Death Magnetic, do Metallica - além de sua utilização no game - simultaneamente ao lançamento físico do CD, em outubro. Os gamers, pelo visto, não esqueceram do massacrante boicote da banda ao Napster, nos primórdios do mp3.

Rock Band 2 preferiu investir no set list, que trará Bob Dylan, AC/DC, Dream Theater, Interpol, Nirvana, Pearl Jam, Metallica e Megadeth, entre tantos outros. A novidade que mais mereceu palmas (e risos) foi a de que uma música do disco do Guns 'N Roses, Chinese Democracy ("Shaker's Revenge"), também estará no repertório. A EA deve mostrar mais novidades sobre os instrumentos e a jogabilidade do novo game, previsto para setembro, em sua coletiva, que começa às 15h (horário de LA).

A cantora Duffy cantou seu hit "Mercy" diretamente na interface de Lips, o karaokê da Microsoft de nome sugestivo e com apelo jovem-adulto. O jogo permitirá aos jogadores conectarem seus MP3 players (Zunes, iPods e iPobres) diretamente no Xbox 360, para interagirem com suas vozes diretamente nas músicas. Deve pegar, ainda mais nesses tempos de Lei Seca.

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Final Fantasy quanto?

O tédio já imperava entre os presentes quando Yoshi Wada, presidente da produtora Square-Enix, subiu ao palco para anunciar os games da empresa para Xbox 360 - Infinite Discovery, Star Ocean: The Last Hope e The Last Remnant. Após sair do palco, ele retornou para apresentar um empolgante vídeo de Final Fantasy XIII, que também será lançada para o 360 (inicialmente, estava previsto somente para o PlayStation 3).

E acabou por aí. Do ponto de vista brasileiro, fiquei decepcionado de não escutar novidades especificamente para o nosso mercado, como a data de estréia da rede Xbox Live no Brasil. Mas realmente, a Microsoft parece neste momento muito mais preocupada com seu mercado na América do Norte, dada a empolgação com que anunciou suas novas parcerias de conteúdo com o canal NBC e Universal e o site de locação de filmes Netflix. Para que se preocupar com o resto do mundo nesse momento, já que nos EUA o 360 ainda domina em presença? Faz sentido.

Fôlego para resistir a mais um longo ano de guerra dos consoles, a Microsoft mostrou que tem. Resta saber o que a Sony irá mostrar em sua coletiva para atrapalhar os planos da rival. E tem a Nintendo também, óbvio, que corre por fora como se nada mais existisse. Amanhã promete - bem mais do que hoje.

E vou lá para a coletiva da Electronic Arts. Volto mais tarde.

enviada por Pablo Miyazawa






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