15/07/2008 08:27
E3 2008: A Coletiva da Electronic Arts
Logo após a coletiva da Microsoft, peguei um táxi para o Orpheum Theater, onde se daria a demonstração para a imprensa da Electronic Arts. O taxista chegou a reclamar da corrida, porque a distância era relativamente curta. Mesmo assim, era impossível chegar em tempo andando nos enormes quarteirões de Los Angeles. Já ouviu aquela música que diz "nobody walks in L.A." (a pé, diga-se)? Pois é.
O evento tinha muito mais pompa do que o da Microsoft, isso não havia dúvidas. A sensação era proporcionada em muito pelo local: o teatro Orpheum é estiloso, chique e cheio de história (abrigou a coletiva da própria Microsoft há alguns anos). Aliás, foi a primeira vez que a EA fez um evento desse gênero em uma E3. E a gigante das gigantes não decepcionou, e fez uma apresentação digna de seu tamanho e poderio. O presidente da empresa, John Riccitcello, foi o mestre de cerimônias, e apesar de pouco acostumado à função, comandou o que pareceu o mais forte line-up da história de sua empresa em uma E3. Pelo menos nas palavras dele, mas ao final da coletiva, não havia muita gente por ali que discordasse.
Além do clima oferecido pelo teatro, a EA escolheu bem os seus apresentadores naquela tarde. Um a um, os principais executivos ligados à produtora subiram ao palco para darem explicações sobre os novos games. O primeiro foi Rod Humble, do The Sims Studio, que fez uma rápida demonstração de SimAnimals - como o nome entrega, um The Sims de animais. Era só o que faltava. Em seguida, foi a vez de Will Wright, o maior criador de games do mundo ocidental, que só poderia falar sobre Spore. Wright, aliás, tem mostrado sua nova obra-prima desde a E3 2005, e pareceu mais desenvolto do que nunca: valorizou o sucesso da ferramenta de criação de monstros (mais de 1,7 milhão de criaturas elaboradas pelo público) e fez boas piadas. Faltou Wright mencionar que grande parte dos monstros criados pelos fãs carregavam forte apelo sexual (órgãos genitais ambulantes, por exemplo). Mas o cara tem crédito pra isso, e saiu ovacionado.
Peter Moore fez falta na coletiva da Microsoft. Agora no comando da linha EA Sports, o executivo levou todo seu carisma ao palco do Orpheum Theater, com a demonstração de NBA Live 09. Não apenas um jogo de basquete, o game traz como destaque o feature dynamic DNA, que oferecerá atualizações diárias de dados verdadeiros dos jogadores da liga americana de basquete, para que os jogadores do game se comportem tais quais os desempenhos de suas personas reais. A presença do jogador aposentado Bill Walton, do Boston Celtics, colaborou para os momentos de maior espontaneidade da apresentação, e fez o público fanatico por basquete delirar com seus comentários bizarros.
Ainda havia tempo para outras visitas ilustres. John Carnack, criador de Doom, apresentou o trailer do shooter Rage (tinha cheiro de Doom 3 no ar). Gabe Newell, dono da Valve, entrou exibindo sua forma rotunda e uma camisa visivelmente rasgada para apresentar Left 4 Dead, que ele mesmo definiu como "uma mistura de Counter-Strike com horror de sobrevivencia". E claro, muito sangue. Outros destaques da coletiva ficaram por conta de Dead Space (tiros, muito sangue jorrando); Mirror's Edge, ação acrobática em primeira pessoa (com uma heroina que só pode ter sido inspirada na Danielle Suzuki, do canal Multishow); e Dragon Age: Origins, piração medieval da tão celebrada BioWare (cometi uma gafe aqui, mas já corrigi).
A coletiva terminou mais cedo que o esperado, e sem nenhuma menção mais aprofundada aos novos Need for Speed e Harry Potter. Ainda bem. Mas nem precisou. É verdade que a EA tem a obrigação de mostrar só jogos bons, afinal de contas, é hoje a proprietária de diversas das principais produtoras da atualidade. Grandes, eles já provaram que são. Resta saber se ainda há espaço para crescer mais. É bom não duvidar: vai que eles inventam de lançar um console daqui uns anos? Cacife pra isso, eles tem de sobra.
enviada por Pablo Miyazawa
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