Pablo Miyazawa é um dos editores da revista Rolling Stone. Foi editor da EGM Brasil, Nintendo World e Herói e colaborador da Folha,
Set e MTV. Também é sócio do coletivo Gardenal.org.





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15/04/2008 15:59

Hier Spielen Wir

Estou na Alemanha há pelo menos uma semana (sim, o tempo voa quando estamos nos divertindo!), e somente ontem consegui chegar próximo da civilização. Estou passando uns dias em uma remota fazenda alemã levantada no século 19, onde participei de uma cerimônia de casamento - não como noivo, mas como padrinho. Diferente do que se pode imaginar, uma fazenda na Alemanha é algo muito moderno. Todas as residências possuem conexão wi-fi, TV a cabo e, naturalmente, luz elétrica. É a perfeita conjunção do contemporâneo e o antigo. Só vendo mesmo para crer.

Ontem, fui até Hamburg, a maior cidade nas proximidades, e também uma das grandes metrópoles alemãs. Tinha que conferir como anda o mercado de games do país. A Alemanha, neste caso, nada tem a reclamar. Todos os consoles de nova geração foram lançados aqui, PC e PlayStation 2 ainda bombam, e o DS, ao que parece, é um sucesso (apesar de que o PSP não fica muito atrás). A oferta de games antigos é boa, e eles são vendidos por um preço acessível. Os jogos novos são oferecidos aos montes, e as empresas investem em merchandising bacana pra chamar a atenção - veja a foto do herói de Bioshock e sinta o drama (vale dizer que fui apenas um entre os muitos que passaram em frente ao Big Daddy e tiraram seus instantâneos digitais).


Big Daddy spielt gern Fussball

Na megastore Saturn, onde passei o dia, me surpreendeu a quantidade de espaço destinado aos games - mais da metade de um andar. Outra coisa interessante, e que até me fez rir, é que todos os displays de games traziam uma placa grande, na qual era possível ler a inspiradora mensagem "Primeiro, Escola. Depois, Jogar" (Erst Schule, Dann Spielen). Nenhum game pode ser experimentado nas lojas antes das 14h - horário no qual, supostamente, as aulas já terminaram. Vi muitos marmanjos tentando jogar o último Pro Evolution Soccer, sem sucesso.


Erst Schule, Dann Spielen - assim diz a placa

Jogos, acessórios, consoles - absolutamente tudo estava disponível, por precinhos camaradas, em Euro (lembre-se que 1 Euro equivale a 2,82 reais, mais ou menos). Até dava vontade de comprar alguma coisa, mas aí eu me lembrava que o sistema de cor europeu é diferente do norte-americano, e desistia. A oferta de games para Nintendo DS era absurda: havia games que eu jamais tinha ouvido falar na vida. Coisas que os alemães adoram, como criação de cavalo, se tornam games por aqui. Fiquei curioso, mas o DS, certamente, também tem esse problema de sistema diferente e incompatibilidade. [diz o Gus que os games pra DS e PSP são "region free". Ok. Mas não vou comprar nada mesmo assim...] Aí, me lembrei que não tenho um DS. Resolvi ir até a seção de jogos de cartas e tabuleiro, que ali eu não teria problemas se resolvesse comprar um.

Outra coisa que sempre me surpreende aqui é a quantidade absurda de revistas especializadas em jogos eletrônicos. O alemão adora ler, e essa paixão é saciada por uma produção editorial farta e variada. Em uma rápida olhada, vi três revistas especializadas em Wii, uma sobre jogos "móveis"(celular, DS e PSP), três sobre Xbox 360, umas duas sobre PS3, e, claro, várias sobre games para PC. A Gamestar é a mais importante, e também a mais cara (uns 5 Euros). Não comprei nenhuma. Talvez pegue uma no Aeroporto amanhã, quando viajo pra Barcelona.


Dá inveja ou não dá?

Passei meia hora na livraria, tempo o bastante para notar que, pelo menos na Alemanha, o estereótipo do gamer funciona perfeitamente: só se aproximavam das revistas de games homens, na faixa dos vinte e poucos anos, de mochila, casaco, óculos e espinhas. Não vi uma única garota na área destinada aos games da megastore Saturn também. Nem crianças, pra falar a verdade. Game, aqui, é coisa de homem mesmo. Não sei se dá para chegar a uma conclusão desse tipo só com a observação, mas acho que a constatação combina bem com a imagem que tenho do "alemão médio". Qualquer hora me aprofundo mais sobre isso.

E amanhã, vôo de novo. Continuo lá da Espanha.

***

Enquanto isso, escuto notícias esquisitas do Brasil. Proibiram o Bully, é mesmo? Que ridículo. E GTA IV será o próximo? Deveriam proibir o Paciência, ou o Jogo da Cobra, logo de uma vez. Isso está passando dos limites, não acha?

enviada por Pablo Miyazawa






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